PESQUISADOR como TERAPEUTA
“E diante de um todo complexo e, de certa forma hermético, que se encontra o
pesquisador, quando sonda, em busca de causas, de motivação mais profunda; que a
conduta humana não se explica só pelas razões, isto é, pelas fórmulas lógicas; antes por
aquelas que escapam ao senso comum, já que são subjetivas”.(pg. 173)
Apresentação de problemas
– Análise pelos ângulos possíveis
– Expor os resultados a que chegou de acôrdo com as técnicas utilizadas
– Comentar os recursos que usou no tratamento, enumerando, com objetividade.
– Resultados
“Ninguém em tecnico de todas as tecnicas”.
CONSIDERAÇÃO
“o indivíduo pertubado ou deficiente da linguagem deve ser entendido em têrmos de unidade funcional, compreendido como um todo, como uma personalidade
integrada”. (pg. 171)
MEIOS DE RECUPERAÇÃO
1. Exercício mecânico
2. Articulatórios
3. Respiratorios e mistos
4. O paciente adquire a capacidade de articular corretamente
· a) comentário: usar a articulação certa é outro probelma; êle já foi censurado,
criticado, castigado; já se sentiu inferior perante irmãos e colegas; talvez se tenha
instalado um complexo, inibindo-o ou rebelando-o. Emocionalmente, êsses
indivíduos se apresentam, via de regra, pertubados.(pg172)
· b) a necessidade de entendê-los, não só quanto ao mecanismo verbal, mas também
quanto à afetividade, ao temperamento neuroglandular e sensorial; e até a
componente físicossomática geral requer pesquisa;
EX: no caso de Gagues, necessita-se, normalmente, de exames clínicos gerais; de
exames especializados:
eletroencefalograma
dosagem de ferro
cálcio
exame de órgãos que interessama à fonação
exames psicotécnicos
levantamento histórico individual (biograma objetivo)
audiometria fonal
EQUIPE
Clínico
Laboratorista
Neurologista
Otorrino
Assistente social
Psicotécnico
ANALISE DO MATERIAL
Na fase de pesquisa, portanto, para maior eficiência na atividade de coligir dados,
organiza-se a equipe. E mais, em muitos casos,torna-se preciso discutir êsses dados,
interrelacioná-los, para que êles assumam espressão no cômputo geral.
DIAGNÓSTICO
É etapa importantíssima no processo de recuperação, nêle se devem distinguir causas
prováveis. Não importa dar um nome à dificuldade verbal; nunca na prática; o que tem
valor é localizar o maior número de fatôres interferente e, se possível, sua origem; só
assim se pode combatê-los.
CONSIDERAÇÃO
“A conduta humana se dirige no sentido de satisfazer as próprias necessiadades; se o
que as satisfaz não se encontra no ambiente, é inútil tentar a recuperação”.
SINTOMA COMO DEFESA
“Temos visto pessoas com graves dificuldades na palavra; algumas sofrendo
intensamente, porque se sentem inferiorizadas e ridículas; para doxalmente, porém, elas
não querem liberta-se da pertubação, porque esta funciona não como instrumento
punitivo, mas também como garantia de vantagens e atenções especiais que, de outra
forma, não seriam; além disso, defendem-nas de assumir certas resposnabilidades, de
enfrentar determinados obstáculos”.
PAPEL DO EDUCADOR
Se o educador lhes acena com a libertação do ridículo e da inferioridade, não atende à
necessidade real, mas à aparente; e nada consegue; se, no entanto, atende à necessidade
de segurança, de auto-confiança e amadurecimento, o problema se soluciona, porque se
processa a socialização e o indivíduo adquire autonomia; já, então, não o apavoram as
dificuldades, nem carece de proteção; sente-se naturalmente protegido e protege, através
da força de coesão que o relaciona, como ser consciente, aos outros sêres; e a
participação, no grupo, valorizando-o, elimina a angústia e o sentimento insuportável de
solidão. (pg.174)
TECNICA
1. Tecnica de SLAVSON
2. Psicoterapia anlitica de grupo
3. Psicodrama
OPINIÃO
Em matéria de recuperação de deficientes ou pertubados da palavra, a psicanálise
ortodoxa, tal como a preconizou Freud e a aceitam seus seguidores incondicionalmente,
não nos parece funcionar satisfatòriamente.
PROPOSTA
Trabalhar com pequenos grupos, quer utilizando a ludoterapia (criança), o psicodrama
(criança e adolecente) ou a laborterapia. Essas técnicas funcionam mais como “centro de
interêsse” ou núcleos, em tôrno dos quais se desenvolveu o processo psicoterápico.
ROGERS: por meio do grupo se consegue associar os elementos num “campo
fenomenológico” comum, o que facilita diminuir a tensão emocional e o
estabelecimento do intercâmbio, por meio da palavra.
DESENVOLVIMENTO DA LINGUAGEM
CRIANÇA
Deve-se fazer:
· Atendê-lo com pariência
· mostrando interêsse no que diz
· encorajando-o
· compreensão e serenidade
Sistema de atos: não funcionam muito bem, é precisam que os pais associem os
exercícios a algo agradável, para que ela tenha prazer em executá-los. Em contrapartida,
feito sob pressão, com ameaças e ralhos constantes, associam-se antes ao que é
desagradável e ela tende a evitá-lo.
Objetivo: a vencer os obstáculos que lhe entravam a palavra.
O papel da respiração e da nutrição no ato de fala: Em 1945, realizamos uma pesquisa
em escolas do campo experimentantal do Serviço de Ortofrenia que, ao tempo,
chefiávamos; obtevemos os índices respiratórios (espirômetro) e os realacionados à
nutrição (ACH) e ao resultado do trabalho:
1. q ue nossas crianças respiram mal (ápice e base do pulmão sempre em deficit)
Obs: quando referimos a respiração defeituosa e insuficiente, falamos não só do
volume de ar inspirado, como doritmo respiratório.
Exemplo: no caso de gaguez havia distritmia respiratôria e incoordenação dos
movimentos respiratórios com os articulatórios; frequentemente o gago se empenha
em emitir a palavra no momento de inspirar, o que a bloqueia inteiramente.
Conclusão: ninguém pode falar bem, de maneira clara e agradável, se não respira
com ritmo regular.
Recurso: a natação
2 . q ue seu tônus vital é baixo, bem como índece de nutrição
Obs: há processos lentos de maturação nervosa e debilidade mental; nos casos de
períodos seguidos de doença, de desidratação e de nutrição, é de esperar um atraso nas palavras, como é de esperá-lo se a inteligência é de nível muito baixo, caso em que
todos os comportamentos aparecem retardados.
3. que, em consegüência, t êm baixa resistência à fadiga.
ADULTOS e ADOLECENTES
(Nota: a participação dos pais não é tão necessária, quanto com a criança.)
Bem conduzidos, desenvolverão a fôrça de vontade que os levará à prática dos
exercícios respiratorios e articulatórios.
· Recurso para uma boa respiração: natação, yoga, exercício mecânicos
· Recurso para melhora no contrôle neuro-muscular: resmo, auterofilismo; exercício na
barra e no trapézio; dança rítmica, ou mesmo “ballet”, teatro.
QUESTIONAMENTO
Haverá casos em que a profissão predominantemente verbal deva ser indicada,
facilitando a interação do indivíduo ao meio(pergunta)
R: Este tema vem sendo discutido principalmente pela escola psicanalista, nos têrmos
seguintes:
1. o deficiente da linguagem adquire um sentimento de inferioridade, em razão de sua
deficiência;
2. para vence-lo, terá que vencer a deficiência, isto, é chegar à utilização verbal
Exemplo: DEMÓSTENES usou essa prática, tornando-semo grande orador ateniense
que se imortalizou; outros oradores
TRIBUNOS e professôres, tiveram inicialmente pertubações da linguagem;
conseguiram vencê-las e agor com êxito no campo específico da palavra falada.
BETHOVEEN, afirma a vitória do homem deficiente, que foi capaz de
compor a Nona Sinfonia, quando já estava surdo.
OBJETIVO DA RECUPERAÇÃO
A recuperação há de ter o objetivo levar o deficiente à comunicação com os outros, da
melhor maneira possível; fazer-se compreender é o mínimo a alcançar.
Nota: que até o presente momento deste trabalho algumas deficeincias não tem ainda
recurso ciêntificos para a recuperação total, como o mal de Little, e os espásticos.
DIFICULDADE DA PESQUISA
Não é fácil a pesquisa, para fins de orientação profissional; porque ela não se resume,
apenas, na aplicação de escalas, questionários ou testes e na interpretação de escalas,
questionários ou testes e na interpretação e interrelacionamento dos dados; vai além,
exige maior profundidade, de vez que inclui o exame da vida passada, chegando à
evolução fetalme mesmo aos períodos que a antecedem.
DEFINIÇÃO DE FREUD
Quando Freud desvendou, aos olhos da humanidade, um nôvo horizonte, revelou-lhe
que o presente era uma nítida expressão do nada; a vida do homem só teria significação como extensão e projeção de seu passado. Alertou, assim, o pesquisador, apontando-lhe
a nova dimensão.
POR FIM, COMENTÁRIOS FILOSÓFICOS
Comentários rápidos a respeito da posição filosófica dos que lidam com deficientes da
linguagem, incluindo surdos-mudos; e, com êles, encerramos êste livro;
1. Ao deficiente devem ser asseguradas condições propícias a seu desenvolvimento
físico e mental, atendendo a seu desenvolvimento físico e mental, atendendo a suas
limitações e ao fato de que o ser humano se desenvolve, nas grandes linhas, de
acôrdo com princípios gerais, mas apresenta, em seu crescimento físico e mental,
formas individuais que o caracterizam.
2. Cda fase de evolução tem significação própria e valor na formação da personalidade.
Cada fase vencida prepara e condiciona a seguinte; esta não destrói a anterior, mas a
inclui em sua transformação. Cada etapa deve ser observada e respeitada, na
recuperação, como algo vital e atuante por tôda a vida.
3. Devem ser proporcionadas ao deficiente condições tais que não o isolem, mas lhe
permitam participar do dinamismo social, de modo que chegue, por essa participação
a adquirir consciência de suas próprias responsabilidades.
Isto porque a sociedade não é estática; muda e se transforma contìnuamente; seus
valôres morais e aperfeiçoamento dependem dos elementos que a integram.
4. Devem ser atendidos todos os aspectos da personalidades do deficiente (intelectual,
fisiossomático, afetivo-emocional, etc), sem predominância de nenhum. O homem é
uma unidade fundamental.
5. Ao deficiente devem ser asseguradas tôdas as situações e oportunidades, que lhe
permitam integrar-se em grupos cada vez mais complexos e amplos, começando pela
família. O ser humano não tem existência real fora do grupo; isolado, angustia-se;
desumaniza-se.
6. Devem ser propostos ao deficiente trabalhos cujas dificuldades possa superar,
encorajando-o a vencer obstáculos cada vez maiores. O efeito do trabalho realizado
importa enormemente e age o realiza. Quando positivo, condiciona o sucesso.
7. Só pessoas profissional, moral, emocional e intelectualmente capacitadas devem
participar da reeducação e recuperação dos deficientes. Só se pode agir, influindo na
vida de oytrem, quando se está convenientemente educado e profissionalmente
capacitado para fazê-lo.
8. O deficiente deve ser colocado em posição de emancipar-se, progressivamente, de
modo a auto-afirmar-se no grupo social, transformando-se de heterônomo em ser
autônomo.
9. O deficiente deve viver a experiência democrática, de modo a encontrar sua posição
na democracia e, valorizando a dignidade humana, ser valorizado em sua própria
dignidade.
10.O deficiente deve ser respeitado e tratado com lealdade, o que resulta da aceitação da
filosofia democrática de vida.
11.O deficiente tem, como qualquer ser humano com lealdade, o que resulta
personalidade própria, desenvolvendo-a da maneira mais harmoniosa e feliz.
FICHAMENTO: PSICOLOGIA DA LINGAUGEM, alguns temas, CARDOSO, Ofélia
Boisson, ed. CONQUISTA, 1963.
Biblioteca Pública Mário Schenberg
São Paulo- SP
Prof.Fábio Quaresma
quinta-feira, 26 de março de 2015
quinta-feira, 19 de março de 2015
Pássaro raro
O detetive Jonas Bond estava em seu escritório. Um lugar iluminado pela luz do abaju, sobre a escrivaninha de madeira. Ele olhava para a porta de vidro ofuscado. Quando num repente surge uma sombra e logo ouve as batidas na porta. Seu coração encheu-se de graça seria mais um caso intrigante ou mais uma criança sumida. Abriu a porta e recepcionou a senhora alta bem vestida e elegante.
-Olá. -Bom dia, senhor Bond, estou certa.
-Sim ele mesmo, as suas ordens. Entre, por favor, e sente-se.
O detetive, vendo no semblante da Senhora sua preocupação, sentou-se do outro lado da mesa e fito-a atentamente. Seu chapéu não o deixava ver seus olhos, mas sua fisionomia era de uma pessoa abatida e preocupada, disse ele:
-“Conte-me tudo não me esconda nada”. O que ouve para traze – lá até aqui. Então ela respondeu:
– Senhor não sabe dá chegada de um pássaro raro em nossa cidade. Ele com ar de certeza respondeu:
-Sim obviamente como poderia deixar de saber. Ela continuou:
– Essa ave fora guardada no Zoológico sobre o cuidado de meu marido chefe do departamento de segurança. Mas na manhã seguinte a sua chegada essa espécime rara sumiu. Ele com ar de surpresa, perguntou:
-Alguma pista?
-Não, nem uma. Estou aqui, pois me indicaram por isso. Ele encheu-se de orgulho e motivação, respondendo:
-Fique tranqüila encontrarei tal ave e logo resolveremos esse aperreio, fique certa disso.
-Então tá. Disse ela já com ares de alívio. Indo embora deixando um crachá da segurança do Zoológico para ele ter acesso ao local, onde a ave tinha estava guardada.
Logo que a Madame saiu Bonde ficou a fitar seu amuleto da sorte, um muiraquitã, peça de estrema beleza de origem amazônica. Nesse momento divagou nas hipóteses. Primeira hipótese seria da ave ter conseguido escapar por descuido dos funcionários ou esse lindo animal silvestre teria sido capturado por uma equipe de cientistas que clonariam a espécime, ou mesmo teria sido resgatado pela equipe do Greenpece numa empreitada para libertar a ave em seu habitar natural e por último a ave teria sido lograda por traficantes internacionais de aves.
No entanto, ficou com essas hipóteses martelando sua cabeça durante o resto do dia. Na manã seguinte foi ao local. Conversando o recepcionista que lhe informou ter naquela noite dado entrada uma pessoa, disse ele:
-Um senhor com jeito de intelectual identificando-se como Jaime que vinha deixar uma encomenda para o Pedro coordenador técnico de informática que trabalha pela madrugada nos computadores do Zoo.
Esse funcionário da recepção tinha um aspecto cansado, talvez por estar virando o serviço. Mas teve a lembrança de dizer que o visitante daquela noite, trazia uma maleta grande que disse ser suas ferramentas. O detetive pensou em conversar com esse funcionário nessa madrugada. Continuou sua investigação, indo até o local. Perguntou-se o que o sistema interno de segurança, conhecido como “panoptismo”, o mais moderno da cidade, teria registrado naquela noite.
O detetive foi no departamento do “panoptismo” conversou com o gerente do sistema, que lhe informou “naquela noite o sistema estava em reparos”. Era a rotina da manutenção, de duas horas, em que todo o sistema ficava desligado. Notou o gerente, que a data e hora dessa manutenção, no “olho” que tudo vê, eram estritamente confidencial e justo naquela noite fora essa data. Assim não tinha como lhe fornecer nem uma informação satisfatória sobre o ocorrido.
Nesse momento entendeu o porquê de ter sido requisitado para esse serviço. Ele um mero detetive tradicional, tendo que corrigir a falha de um sistema, mais moderno e seguro do mundo. Assim, surgiu-lhe uma nova hipótese de ter uma empresa concorrente feito tal coisa, com o objetivo de desmerecer seu concorrente. Bond saiu do Zoo e foi para sua casa conferir e esperar a hora para poder voltar aquele local e conversar com o técnico de informativa. Chegada há hora, estava de volta no local do incidente conversando com o técnico que nada soube explicar sobre tal sujeito, ao qual se referia, pois naquela noite tinha feito a manutenção externa do prédio. Isso intrigou o detetive que voltou a sala e fez uma busca no lixo, encontrando algumas embalagens de produtos farmacológicas, tomou nota dos nomes e pesquisou na internet descobrindo serem produtos utilizados em cirurgia. Assim ficou claro que a hipótese dos cientistas estava certa, porém não precisaram levar o animal, fazendo a coleta de material ali mesmo.
No dia seguinte, quando ia para o escritório passou na banca de revista e comprou o jornal do dia. Em meio a matérias encontrou uma nota de repúdio do Greenpece sobre o assunto. Resolveu desviar caminho e ir visitar um amigo que sabia das novidades do mercado negro de animais silvestres. Não teve maiores resultados o que lhe intrigou bastante. No entanto, seu amigo sugeriu que ele fala-se com o responsável da alimentação da ave. Aquela era realmente uma boa idéia, pois num descuido do funcionário a ave poderia ter batido asas e voado. Pelo terceiro dia voltou no local onde o pássaro tinha sido visto pela ultima vez.
No local encontrou seu Armando que disse apenas que não alimentava pássaros durante a noite. Agora a curiosidade tinha tomado sua consciência e um questionamento lhe vierá a mente: “Que espécime de pássaro seria aquela?” Foi conversar no próprio Zoo, com um especialista que lhe explicou se tratar do UIRAPURU um pássaro raro, do Norte do Brasil, possuidor de um canto que de tão belo enfeitiçava e apaixonava as donzelas, fazia parte do folclore regional da Amazônia. Dizem que e um pássaro que pode virar homem.
O detetive descartou no mesmo instante essa hipótese. Acabado o dia foi para sua residência ficando a pensar, refletia sobre esse imaginário, delirava vendo um pássaro virando homem dentro de uma gaiola e saindo depois pela porta da frente completamente nu sem ninguém perceber, era inacreditável.
Num repente lembrou que uma jovem moça estava a lhe espreita, quando em seu segundo dia de investigação no local, lhe observando e nos outros dias também. Teria sido ela encantada pelo Uirapuru. No outro dia, ligou para sua contratante e marcou de encontrarem-se no Zoológico as três horas da tarde, pois sabia onde estava e com quem o pássaro. Passaram-se as horas até o momento exato. Encontrou com a Madame no Zoo, onde ele a convidou para andar pelos caminho do parque, pararam em frente de uma estatua quando a fitou dizendo:
– Quem fortis que levou o Uirapuru. E por quê? Ela assombrada sem entende, respondeu.
– Como soube.
-Onde o está escondido, hem, diga.
-Em minha casa.
Nesse momento saiu detrás da escultura o oficial de policia dando-lhe voz de prisão. Ela tomou um susto e nem hesitou em fugi, entregando-se. O oficial disse:
-Conte-me como soube que foi ela.
– Elementar meu caro. Essa senhora é a Madame Zara dona deste local. E sabido que esteve no Brasil recentemente, e que com certeza esteve a visitar a Amazônia, onde deve ter ouvido o canto desse ilustre pássaro que a encantou. Ela na ganância de ter-lo para si trouxe-o para cá a custo de empréstimo, porém planejou tal sumiço. Entendes, pois que um senhor matuto dessa região florestal contou-me que as suas mulheres cobiçam o marido e seus ganhos. Ele contou já ter escondido em todos os lugares da casa seu dinheiro para o se bel prazer, que era beberica e joga sinuca, mas saiba que a sua já tinha desvendado todos os seus esconderijos. Então resolveu esconder no cano do seu "bodoque", arma rudimentar que servia para armadilha na caça de animais como tatu, paca, ou viados, ou onça que tratava-se de uma armadilha composta de um barbante presa a uma árvore de um lado e ao gatilho de outro, porém a custo nunca pegará nada, porém na noite véspera do seu dia de desprazer ouviu o som do disparo, não se arlamou pela manhã acordou e buscou os seus míseros reais escondidos e não o encontrava, quando por um repente ateu-se o bodoque, correu para dentro da floresta quando viu espalhado os pedaços de seus reais e ao lado um tatu morto que lhe serviu para jantar sua primeira caça de uma longa vida.
sexta-feira, 13 de março de 2015
Linguagem: verbal X não verbal
A linguagem humana possui dois tipos de expressão comunicativa uma verbal que compreende o conteúdo gramatical que delimita padrões linguísticos para o ato de escrita e leitura articulada que segue padrões arbitrários e convencional e suas variações linguísticas que seguem o princípio lógico e informal da comunicação de transmitir uma informação compreensível e lógica para uma comunidade linguística. E a linguagem não verbal como a linguagem semiótica em que m signo linguístico transmite uma mensagem legalmente admitida por uma comunidade linguística e também possui sua expressão linguística formal, arbitrária e convencional na transmissão de uma comunicação com a ausência de aspectos articulados oralmente e se define por sinais padronizados por uma comunidade linguística é a Linguagem de Sinais que podem ser entendida por seu dicionário de sinais e a comunicação gestual que não segue padrões, sendo uma comunicação informal pois acompanha a linguagem oral ou não é objetiva complementa ou transmitir uma informação lógica e racional em uma limitada ou especificada comunidade linguística.
quarta-feira, 4 de março de 2015
Notícia: Revista Hipertextus
O Instituto de Língua Viva tem o prazer de divulgar a revista digital Hipertextus que busca recuperar o prazer de ler.
Hipertertexto é uma tecnologia enunciativa híbrida e flexível que dialoga com outras interfaces midiáticas e acondiciona forma outras de textualidade. (Def. Prof. Antônio Carlos Xavier, ABRALIN, 2015)
Hipertertexto é uma tecnologia enunciativa híbrida e flexível que dialoga com outras interfaces midiáticas e acondiciona forma outras de textualidade. (Def. Prof. Antônio Carlos Xavier, ABRALIN, 2015)
sábado, 28 de fevereiro de 2015
Redação aula: Introdução
- A linguagem impessoal predominante no extenso de um texto dissertativo em que os verbos deveriam estar flexionados na segunda pessoa, porém com o sentido de tratamento "você", elíptico, a flexão verbal passa para a terceira pessoa o que produz um diálogo entre um escritor que dirige-se a um leitor.
- A Introdução de um texto dissertativo faz-se pela utilização da expressão machadiana, “Você sabia que…”,que apesar de não estar presente no texto final serve como chave propulsora do texto.
- O conteúdo deve ser um resumo breve, claro e objetivo, apresentando a tese que será argumentada no desenvolvimento. Nota-se que toda tese parte de questionamentos que devem levar a uma possível solução ou esclarecimento das melhores formas de resolver a tese (parte de problemáticas). Portanto, recomenda-se que seja feito um questionamento direto ou indireto.
- Exemplo gráfico da Introdução conforme Manual de Redação (MEC-2013)
Leia mais: clique aqui
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015
Momento ABRALIN 2015
Durante o Congresso, momento de pôster, a futura Doutora pela Sorbome, Mestra Rita Demasi, apresentou seu estudo "da dinâmica da fala: ão por um viés articulatório e aerodinâmico" que utilizando-se de tecnologia experimental de ultrasson e sensores de língua, que possibilitam uma leitura além da transcrição fonética tradicional. Formada pela USP, conta já ter experimentado transcrições fonológica a partir da utilização de aparelhos tecnológicos mas não nessa magnitude que vem estudando. Promete quando formada estabelecer um Centro por cá com interface de seu professor Dr..
Rita-de-cassia.demasi@stud.univ.pari3.fr
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015
Os sete saberes necessários à educação do futuro. de Edgar Morin
Os sete saberes necessários à educação do futuro não têm nenhum programa
educativo, escolar ou universitário. Aliás, não estão concentrados no primário, nem no
secundário, nem no ensino universitário, mas abordam problemas específicos para cada um
desses níveis. Eles dizem respeito aos setes buracos negros da educação, completamente
ignorados, subestimados ou fragmentados nos programas educativos. Programas esses que,
na minha opinião, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação dos
jovens, futuros cidadãos
O Conhecimento.
O Conhecimento Pertinente.
A Identidade Humana.
A Compreensão Humana.
A Incerteza.
A Condição Planetária.
A Antropo-ética
Lei Texto na integra: Clique aqui
O ser e o nada: O nada, de Satre
Pequena nota da obra O ser e o nada, de Jean Paul Sartre.
El no-ser se niega en su propio meollo. Cuando Hegel escribe: «El ser y la nada son abstracciones vacías y la una es tan vacía como la otra», olvida que el vacío es vacío de algo18. Y el ser es vacío de toda otra determinación que no sea la identidad consigo mismo; pero el no-ser es vacío de ser. En una palabra, lo que aquí ha de recordarse, contra Hegel, es que el ser es y la nada no es.
Así, aun cuando el ser no fuera el soporte de ninguna cualidad diferenciada, la nada sería lógicamente
posterior, ya que supone al ser para negarlo, puesto que la cualidad irreductible del no viene a sobreañadirse a esa masa indiferenciada de ser para liberarla. Esto significa no sólo que hemos de negarnos a poder ser y no ser en el mismo plano, sino también que hemos de cuidarnos mucho de poner a la nada como un abismo originario del que surgiría el ser. El empleo que damos a la noción de nada en su forma familiar supone siempre una previa especificación del ser. Es notable, a este respecto, que el idioma nos ofrezca una nada de cosas («nada») y una nada de seres humanos («nadie»). Pero la especificación se lleva todavía más lejos en la mayoría de los casos: se dice, designando una colección particular de objetos: «No toques nada», o sea, muy precisamente, nada de esta colección. Análogamente, el que es interrogado sobre acontecimientos bien determinados de la vida pública o privada, responde: «No sé nada»; y este «nada» incluye el conjunto de los hechos sobre los cuales se le ha interrogado. El propio Sócrates, con su frase famosa: «Yo sólo sé que nada sé», designa, con ese nada, precisamente la totalidad del ser considerada en tanto que Verdad. Si, adoptando por un instante el punto de vista de las cosmogonías ingenuas, tratáramos de preguntarnos qué «había» antes que hubiera un mundo, y respondiéramos «nada», nos veríamos ciertamente obligados a reconocer que ese «antes», lo mismo que ese «nada», tendrían efecto retroactivo.
Baixe a obra na integra: Clique aqui
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Conto: O SUAVE MILAGRE: De Eça de Queirós
Nesse tempo Jesus ainda se não afastara da Galileia e das doces, luminosas
margens do lago de Tiberíade — mas a notícia dos seus milagres penetrara já
até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país
de Issacar.
Uma tarde um homem de olhos ardentes e deslumbrados passou no fresco
vale, e anunciou que um novo profeta, um rabi formoso, percorria os campos
e as aldeias da Galileia, predizendo a chegada do Reino de Deus, curando
todos os males humanos. E, enquanto descansava, sentado à beira da Fonte
dos Vergéis, contou ainda que esse rabi, na estrada de Magdala, sarara da lepra
o servo de um decurião romano, só com estender sobre ele a sombra das suas
mãos; e que noutra manhã, atravessando numa barca para a terra dos
Gerasenos, onde começava a colheita do bálsamo, ressuscitara a filha de Jairo,
homem considerável e douto que comentava os livros na sinagoga. E como
em redor, assombrados, seareiros, pastores, e as mulheres trigueiras com a
bilha no ombro, lhe perguntassem se esse era, em verdade, o Messias da
Judeia, e se diante dele refulgia a espada de fogo, e se o ladeavam, caminhando
como as sombras de duas torres, as sombras de Gog e de Magog — ohomem, sem mesmo beber daquela água tão fria de que bebera Josué,
apanhou o cajado, sacudiu os cabelos, e meteu pensativamente por sob o
aqueduto, logo sumido na espessura das amendoeiras em flor. Mas uma
esperança, deliciosa como o orvalho nos meses em que canta a cigarra,
refrescou as almas simples: logo, por toda a campina que verdeja até Áscalon,
o arado pareceu mais brando de enterrar, mais leve de mover a pedra do lagar:
as crianças, colhendo ramos de anémonas, espreitavam pelos caminhos se
além da esquina do muro, ou de sob o sicômoro, não surgiria uma claridade, e
nos bancos de pedra, às portas da cidade, os velhos, correndo os dedos pelos
fios das barbas, já não desenrolavam, com tão sapiente certeza, os ditames
antigos.
Ora então vivia em Enganim um velho, por nome Obed, de uma família
pontifical de Samaria, que sacrificara nas aras do monte Ebal, senhor de fartos
rebanhos e de fartas vinhas — e com o coração tão cheio de orgulho como
seu celeiro de trigo. Mas um vento árido e abrasado, esse vento de desolação
que ao mando do Senhor sopra das torvas terras de Assur, matara as reses
mais gordas das suas manadas, e pelas encostas onde as suas vinhas se
enroscavam ao olmo, e se estiravam na latada airosa, só deixara, em torno dos
olmos e pilares despidos, sarmentos de cepas mirradas, e a parra roída de
crespa ferrugem. E Obed, agachado à soleira da sua porta, com a ponta do
manto sobre a face, palpava a poeira, lamentava a velhice, ruminava
queixumes contra Deus cruel. Apenas ouvira porém desse novo rabi da Galileia que alimentava as
multidões, amedrontava os demónios, emendava todas as desventuras —
Obed, homem lido, que viajara na Fenícia, logo pensou que Jesus seria um
desses feiticeiros, tão costumados na Palestina, como Apolónio, ou rabi BenDossa, ou Simão, «o Subtil». Esses, mesmo nas noites tenebrosas, conversam
com as estrelas, para eles sempre claras e fáceis nos seus segredos; com uma
vara afugentam de sobre as searas os moscardos gerados nos lodos do Egipto;
e agarram entre os dedos as sombras das árvores, que conduzem, como toldos
benéficos, para cima das eiras, à hora da sesta. Jesus da Galileia, mais novo,
com magias mais viçosas decerto, se ele largamente o pagasse, sustaria a
mortandade dos seus gados, reverdeceria os seus vinhedos. Então Obed
ordenou aos seus servos que partissem, procurassem por toda a Galileia o rabi
novo, e com promessa de dinheiros ou alfaias o trouxessem a Enganim, no
país de Issacar.
Os servos apertaram os cinturões de couro — e largaram pela estrada das
caravanas, que, costeando o lago, se estende até Damasco. Uma tarde,
avistaram sobre o poente, vermelho como uma romã muito madura, as neves
finas do monte Hérmon. Depois, na frescura de uma manhã macia, o lago de
Tiberíade resplandeceu diante deles, transparente, coberto de silêncio, mais
azul que o céu, todo orlado de prados floridos, de densos vergéis, de rochas
de pórfiro, e de alvos terraços por entre os palmares, sob o voo das rolas. Um
pescador que desamarrava preguiçosamente a sua barca de uma ponta derelva, assombreada de aloendros, escutou, sorrindo, os servos. O rabi de
Nazaré? Oh! Desde o mês de Ijar, o rabi descera, com os seus discípulos, para
os lados para onde o Jordão leva as águas. Os servos correndo, seguiram pelas
margens do rio, até adiante do vau, onde ele se estira num largo remanso, e
descansa, e um instante dorme, imóvel e verde, à sombra dos tamarindos. Um
homem da tribo dos Essénios, todo vestido de linho branco, apanhava
lentamente ervas salutares, nela beira da água, com um cordeirinho branco ao
colo. Os servos humildemente saudaram-no, porque o povo ama aqueles
homens de coração tão limpo, e claro, e cândido como as suas vestes cada
manhã levadas em tanques purificados. E sabia ele da passagem do novo rabi
da Galileia que, como os Essénios, ensinava a doçura, e curava as gentes e os
gados? O Essénio murmurou que o rabi atravessara o oásis de Engaddi,
depois se adiantara para além... — Mas onde, além? — Movendo um ramo de
flores roxas que colhera, o Essénio mostrou as terras de além-Jordão, a
planície de Moab. Os servos vadearam o rio — e debalde procuravam Jesus,
arquejando pelos rudes trilhos, até às fragas onde se ergue a cidadela sinistra
de Makaur... No Poço de Jacob repousava uma larga caravana, que conduzia
para o Egipto mirra, especiarias e bálsamos de Gilead, e os cameleiros, tirando
a água com os baldes de couro, contaram aos servos de Obed que em Gadara,
pela lua nova, um rabi maravilhoso, maior que David ou Isaías, arrancara sete
demónios do peito de uma tecedeira, e que, à sua voz, um homem degolado
pelo salteador Barrabás se erguera da sua sepultura e recolhera ao seu horto. Os servos, esperançados, subiram logo açodadamente pelo caminho dos
peregrinos até Gadara, cidade de altas torres, e ainda mais longe até às
nascentes de Amalha... Mas Jesus, nessa madrugada, seguido por um povo que
cantava e sacudia ramos de mimosa, embarcara no lago, num batel de pesca, e
à vela navegara para Magdala. E os servos de Obed, descoroçoados, de novo
passavam o Jordão na Ponte das Filhas de Jacob. Um dia, já com as sandálias
rotas dos longos caminhos, pisando já as terras da Judeia Romana, cruzaram
um fariseu sombrio, que recolhia a Efraim, montado na sua mula. Com devota
reverência detiveram o homem da Lei. Encontrara ele, por acaso, esse profeta
novo da Galileia que, como um deus passeando na Terra, semeava milagres?
A adunca face do fariseu escureceu enrugada — e a sua cólera retumbou
como um tambor orgulhoso:
— Oh escravos pagãos! Oh blasfemos! Onde ouvistes que existissem
profetas ou milagres fora de Jerusalém? Só Jeová tem força no seu Templo.
De Galileia surdem os parvos e os impostores...
E como os servos recuavam perante o seu punho erguido, todo
enrodilhado de dísticos sagrados — o furioso doutor saltou da mula e, com as
pedras da estrada, apedrejou os servos de Obed, uivando: « Racca! Racca!» e
todos os anátemas rituais. Os servos fugiram para Enganim. E grande foi a
desconsolação de Obed, porque os seus gados morriam, as suas vinhas
secavam — e todavia, radiantemente, como uma alvorada por detrás de serras,crescia, consoladora e cheia de promessas divinas, a fama de Jesus da Galileia.
Por esse tempo, um centurião romano, Públio Sétimo, comandava o forte que
domina o vale de Cesareia, até à cidade e ao mar. Públio, homem áspero,
veterano da campanha de Tibério contra os Partos, enriquecera durante a
revolta de Samaria com presas e saques, possuía minas na Ática e gozava,
como favor supremo dos deuses, a amizade de Flaco, legado imperial da Síria.
Mas uma dor roía a sua prosperidade muito poderosa como um verme rói
um fruto muito suculento. A sua filha única, para ele mais amada que vida ou
bens, definhava com um mal subtil e lento, estranho mesmo ao saber dos
esculápios e mágicos que ele mandara consultar a Sídon e a Tiro. Branca e
triste como a lua num cemitério, sem um queixume, sorrindo palidamente ao
seu pai definhava, sentada na alta esplanada do forte, sob um velário,
alongando saudosamente os negros olhos tristes pelo azul do mar de Tiro, por
onde ela navegara de Itália, numa galera enfestoada. Ao seu lado, por vezes,
um legionário, entre as ameias, apontava vagarosamente ao alto a flecha, e
varava uma grande águia, voando de asa serena, no céu rutilante. A filha de
Sétimo seguia um momento a ave torneando até bater morta sobre as rochas
— depois, mais triste, com um suspiro, e mais pálida, recomeçava a olhar para
o mar.
Então Sétimo, ouvindo contar, á mercadores de Chorazim, deste rabi
admirável, tão potente sobre os espíritos, que sarava os males tenebrosos da
alma, destacou três decúrias de soldados para que o procurassem por Galileia,e por todas as cidades da Decápole, até à costa e até Áscalon. Os soldados
enfiaram os escudos nos sacos de lona, espetaram nos elmos ramos de oliveira
— e as suas sandálias ferradas apressadamente se afastaram, ressoando sobre
as lajes de basalto da estrada romana que desde Cesareia até ao lago com toda
a tetrarquia de Herodes. As suas armas de noite, brilhavam no topo das
colinas, por entre a chama ondeante dos archotes erguidos. De dia invadiam
os casais, rebuscavam a espessura dos pomares, esfuracavam com a ponta das
lanças a palha das medas: e as mulheres, assustadas, para os amansar, logo
acudiam com bolos de mel, figos novos, e malgas cheias de vinho, que eles
bebiam de um trago, sentados à sombra dos sicômoros. Assim correram a
Baixa Galileia — e, do rabi, só encontraram o sulco luminoso nos corações.
Enfastiados com as inúteis marchas, desconfiando que os Judeus
sonegassem o seu feiticeiro para que os Romanos não aproveitassem do
superior feitiço, derramavam com tumulto a sua cólera, através da piedosa
terra submissa. À entrada das aldeias pobres detinham os peregrinos, gritando
o nome do rabi, rasgando os véus às virgens: e, à hora em que os cântaros se
enchem nas cisternas, invadiam as ruas estreitas dos burgos, penetravam nas
sinagogas, e batiam sacrilegamente com os punhos das espadas nas Thebahs,
os santos armários de cedro que continham os Livros Sagrados. Nas cercanias
de Hébron arrastaram os solitários pelas barbas para fora das grutas, para lhes
arrancar o nome do deserto ou do palmar em que se ocultava o rabi — e dois
mercadores fenícios que vinham de Jope com uma carga de malóbatro, e aquem nunca chegara o nome de Jesus, pagaram por esse delito cem dracmas a
cada decurião. Já a gente dos campos, mesmos os bravios pastores de
Idumeia, que levam as reses brancas para o Templo, fugiam espavoridos para
as serranias, apenas luziam, nalguma volta do caminho, as armas do bando
violento. E da beira dos eirados, as velhas sacudiam como taleigos a ponta dos
cabelos desgrenhados, e arrogavam sobre eles as Más Sortes, invocando a
vingança de Elias. Assim tumultuosamente erraram até Áscalon: não
encontraram Jesus: e retrocederam ao longo da costa enterrando as sandálias
nas areias ardentes.
Uma madrugada, perto de Cesareia, marchando num vale, avistaram sobre
um outeiro um verde-negro bosque de loureiros, onde alvejava,
recolhidamente, o fino e claro pórtico de um templo. Um velho, de compridas
barbas brancas, coroado de folhas de louro, vestido com uma túnica cor de
açafrão, segurando uma curta lira de três cordas, esperava gravemente, sobre
os degraus de mármore, a aparição do Sol. Debaixo, agitando um ramo de
oliveira, os soldados bradaram pelo sacerdote. Conhecia ele um novo profeta
que surgira na Galileia, e tão destro em milagres que ressuscitava os mortos e
mudava a água em vinho? Serenamente, alargando os braços, o sereno velho
exclamou por sobre a rociada verdura do vale:
— Oh romanos! Pois acreditais que em Galileia ou Judeia apareçam
profetas consumando milagres? Como pode um bárbaro alterar a ordem
instituída por Zeus?... Mágicos e feiticeiros são vendilhões, que murmurampalavras ocas, para arrebatar a espórtula dos simples... Sem a permissão dos
imortais nem um galho seco pode tombar da árvore, nem seca folha pode ser
sacudida na árvore. Não há profetas, não há milagres... Só Apolo Délfico
conhece o segredo das coisas!
Então, devagar, com a cabeça derrubada, como numa tarde de derrota, os
soldados recolheram à fortaleza de Cesareia. E grande foi o desespero de
Sétimo, porque sua filha morria, sem um queixume, olhando o mar de Tiro —
e todavia a fama de Jesus, curador dos lânguidos males, crescia, sempre mais
consoladora e fresca, como a aragem da tarde que sopra do Hérmon e, através
dos hortos reanima e levanta as açucenas pendidas.
Ora entre Enganim e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega
de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas
mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro
peito a que ela o criara para os farrapos de enxerga apodrecida, onde jazera,
sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara
dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa
arrancada. E, sobre ambos espessamente a miséria cresceu como o bolor
sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há
muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava grão ou côdea. No Estio,
sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe
do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas
apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento! Um
dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe
amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira, coçando as feridas
das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, esse rabi que aparecera
na Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as
criancinhas, e enxugava todas as lágrimas, e prometia aos pobres um grande e
luminoso reino, de abundância maior que a corte de Salomão. A mulher
escutava, com olhos famintos. E esse doce rabi, esperança dos tristes, onde se
encontrava? O mendigo suspirou. Ah esse doce rabi! Quantos o desejavam,
que se desesperançavam! A sua fama andava por sobre toda a Judeia, como o
sol que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas para enxergar a
claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia. Obed, tão
rico, mandara os seus servos por toda a Galileia para que procurassem Jesus, o
chamassem com promessas a Enganim; Sétimo, tão soberano, destacara os
seus soldados até à costa do mar, para que buscassem Jesus o conduzissem,
pelo seu mando a Cesareia. Errando esmolando por tantas estradas, ele topara
os servos de Obed, depois os legionários de Sétimo. E todos voltavam, como
derrotados, com as sandálias rotas sem ter descoberto em que mata ou cidade,
em que toca ou palácio, se escondia Jesus.
A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho,
entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto mais vergada, mais
abandonada. E então o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar de uma asa,
pediu à mãe que lhe trouxesse esse rabi que amava as criancinhas, ainda as
mais pobres, sarava os males ainda os mais antigos. A mãe apertou a cabeça
esguedelhada:
— Oh filho e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos à procura
do rabi da Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por
areais e colinas, desde Corazim até ao país de Moab. Sétimo é forte e tem
soldados, e debalde correram por Jesus, desde o Hébron até ao mar!
Como queres que te deixe! Jesus anda por muito longe e a nossa dor mora
connosco, dentro destas paredes, e dentro delas nos prende. E mesmo que o
encontrasse, como convenceria eu o rabi tão desejado, por quem ricos e fortes
suspiram, a que descesse através das cidades até este ermo, para sarar um
entrevadinho tão pobre, sobre enxerga tão rota?
A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou: — Oh
mãe! Jesus ama todos os pequenos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal
tão pesado, e que tanto queria sarar!
E a mãe, em soluços: — Oh meu filho, como te posso deixar? Longas são
as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega,
tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o
meu recado, e me apontaria a morada do doce rabi. Oh filho! Talvez Jesus
morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes. De entre
os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança
murmurou:
— Mãe, eu queria ver Jesus... E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo Jesus disse à criança: — Aqui estou.
FONTE: Contos de natal portugueses; http://www.pdflivros.com/index.html
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