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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

PRINCÍPIOS DO INSTITUTO DE LÍNGUA VIVA

1.ª) – Alaph
Sua significação básica é: familiarizar-se com, acostumar-se, ajudar como amigo.
Este verbo é usado em Jó 33:33:
"Escuta-me; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria".
O professor precisa familiarizar-se com os estudantes, tornar-se seu amigo, para poder ensinar.

2ª) – Bin
Significa no original "distinguir", "separar", "discernir", "fazer distinções".
Pode ser encontrado nas seguintes passagens, traduzido na Almeida Atualizada para:
Daniel 8:16 - dar a entender,
II Crônicas 35:3 - ensinavam,
Salmo 119:34 - guardarei a tua lei,
Salmo 119:125 - dar entendimento.
Ensinar é ajudar a pessoa a crescer em percepção espiritual, para viver não para si, mas para Deus.

3.ª) – Zahar
De acordo com alguns comentaristas, esta palavra originalmente significava brilhar, iluminar.
Com esta significação em mente Ralph Powell no livro A Tarefa do Professor, escreveu:
"Ensinar é iluminar o estudante para que ele possa ver por si mesmo. Quem ensina deve ter uma clara visão das realidades espirituais e habilitar outros a ver estas coisas".
Outros estudiosos declaram que a palavra significa advertir ou admoestar.
Podemos conferir:
Êxodo 18:20 - "Ensina-lhes os estatutos e as leis..."
Salmo 19:11 - "Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar há grande recompensa".

4.ª) – Iasar
Comumente significa disciplinar, corrigir. O verbo traz em si a idéia de ensinar corrigindo, ou dando instrução que envolva castigo.
Aparece em:
Prov. 31:1 - "Palavras do Rei Lemuel, de Massá, as quais lhe ensinou sua mãe".
Jer. 6: 8 - "Aceita a disciplina, ó Jerusalém, para que eu não me aparte de ti..."
Esta palavra nos mostra, que ensinar é um processo, que envolve a correção de maneiras ou idéias erradas do aluno. Neste sentido a educação é disciplinar ou guiar os estudantes a se corrigirem para que atitudes erradas sejam substituídas por procedimentos corretos.

5.ª) – Iarah
É uma das palavras mais interessantes deste grupo, porque se refere ao ensino como alguma coisa que aponta o caminho. Ensinar ou educar é guiar o educando, apontando-lhe com a mão o bom caminho.
Deste verbo vem a palavra "Torah", (lei), com o significado de ensinamento, instrução, lei, direção.
Os primeiros cinco livros da Bíblia são designados em hebraico por Torah, por apontarem aos homens o caminho que devem seguir.
O verbo torah é usado especialmente para o ensino dos sacerdotes e do próprio Deus, que é o maior Professor, como nos atestam os seguintes exemplos bíblicos.
Lev. 10:11: "E para ensinardes aos filhos de Israel todos os estatutos que o Senhor lhes tem falado por intermédio de Moisés".
Sal. 27:11: "Ensina-me, Senhor, o teu carrinho e guia-me por vereda plana, por causa dos que me espreitam".
Sal. 86:11: "Ensina-me, Senhor, o teu caminho, e andarei na tua verdade".
Sal. 119:33: "Ensina-me, Senhor, o caminho dos teus decretos, e os seguirei até ao fim".
Lendo estas passagens e outras onde o verbo "iarah" aparece (Deut. 31:11-13), concluiremos que ensinar é guiar a outros para os caminhos de Deus.

6ª) – Lamad
Este verbo significa treinar para fazer coisas retas ou direitas; tem o sentido de aquisição de conhecimento.
As passagens que se seguem nos elucidam bem sobre o seu significado:
Isa. 1:17 - "Aprendei a fazer o bem..."
Jer. 10:2 - "Assim diz o Senhor: Não aprenderás o caminho dos gentios..."
No Salmo 119:12, 26, 64, 124 e 135 este verbo aparece está traduzido para o português por: "Ensina-me os teus preceitos". Obediência é o resultado excelente de quem recebe este tipo de instrução.

7.ª) – Sakal
Dar discernimento, levar a ser sábio, mas, às vezes, também aparece traduzido por ensinar.
O seu uso no texto sagrado nos mostra que ensinar inclui a idéia de dar discernimento e perspicácia, em outras palavras, fazer com que aqueles que estão aprendendo se tornem sábios. É encontrado nas seguintes passagens:
Sal. 32:8 - "Instruir-te-ei e te ensinarei o caminho que deves seguir; e, sob as minhas vistas, te darei conselho".
Dan. 9:22 - "Ele queria instruir-me, falou comigo, e disse: Daniel, agora saí para fazer-te entender o sentido".
Dan. 12:10 - "... mas os sábios entenderão".

8.ª) – Shanan
Pode ser traduzido por afiar, aguçar como uma espada, mas também ensinar diligentemente, ordenar com autoridade.
O exemplo mais frisante e convincente do seu significado em hebraico está no seu uso na conhecida passagem de:
Deut. 6:7 - "Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te e ao levantar-te".
O verbo inculcar com o significado de recomendar, apregoar, repetir muitas vezes, e mesmo impor foi o que os tradutores acharam melhor para transmitir a idéia do original. Deus ordena aos pais que ensinem aos filhos as coisas divinas de maneira intensiva, constante e com toda a diligência.
Sintetizando: o estudo destas palavras hebraicas para ensinar, sugerem diversos princípios primordiais para a educação cristã.
1.º- Aquele que ensina precisa antes de tudo ser um estudante, e um intensivo estudante. Ninguém pode ensinar aquilo que não sabe.
2.º - Estes verbos hebraicos indicam que o ensino cristão é ajudar os outros a aprenderem.
Baseados nestas palavras hebraicas podemos afirmar que o ensino cristão é:
a) Tornar os outros familiarizados com as verdades divinas;
b) Dar discernimento;
c)Admoestar;
d) Corrigir;
e) Repartir conhecimento;
f) Treinar;
g)Dar sabedoria e compreensão;
h)Inculcar.
3.º - A forma Hifil, muitas vezes usada, mostra que ensinar é ajudar os estudantes a se tornarem o que os professores já são, e levá-los a conhecer o que os professores já conhecem. Ou expressando-nos de outra maneira, os professores não podem levar os estudantes a obterem conhecimento, bom discernimento dos valores morais se eles não possuírem estes valores dentro de si.
4.º - O ensino cristão tem como meta levar os estudantes a conhecerem os caminhos e a vontade de Deus.
5.º - Para que o ensino seja proveitoso ele deve ser feito com diligência e entusiasmo.
6.º - O ensinar deve incluir mudanças de atitudes e de conceitos errados.
7.º Os objetivos do ensino da Palavra de Deus são a transformação do caráter, e fazer o estudante obediente à vontade divina.
Prezados educandos, tendes nesta Escola o sublime privilégio de preparar-vos para ensinar ao mundo os preciosos ensinos da Palavra de Deus. Estes verbos mostram o método do ensino.
Para que esta instrução seja eficiente sôo necessários muitos atributos que só Deus nos pode dar.
Façamos da oração do salmista a nossa:
"Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu servo, e ensina-me os teus estatutos". Sal. 119:135.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Problemática do cidadão do novo milênio.

“ Unidades complexas, como o ser humano ou a sociedade, são multidimensionais: dessa forma, o ser humano é ao mesmo tempo biológico, psíquico, social, afetivo e racional. A sociedade comporta as dimensões histórica, econômica, sociológicas, religiosas... O conhecimento pertinente deve reconhecer esse caráter multidimensional e nele inserir estes dados: não apenas não se poderia isolar uma parte do todo, mas as partes umas das outras; a dimensão econômicas, por exemplo, está em inter-retroação permanente com todas as outras dimensões humanas; além disso, a economia carrega em si, de modo “hologrâmico”, necessidades, desejos e paixões humanas que ultrapassam os meros interesses econômicos.” (O Setes Saberes necessários à Educação do Futuro, Edgar Morin, pág. 38).

A essa problemática do cidadão do novo milênio que Edgar Morin desenvolve seus estudos com a publicação de varias obras, mas a que mais nos interessou, dentro do tema proposto pela professora Maria do Céu, da Universidade da Amazônia é a obra que aborda o tema da multidimensionalidade da didática, exposto na obra “Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro”, que tem sua importância por ter cido solicitada pela Unesco com o objetivo, entre outros, de aprofundar a visão transdiciplinar da educação e tornou-se texto base para a elaboração de nossos Parâmetros Curriculares Nacional.

Nessa obra Edgar Morin propõe uma reorganização da educação. E essa reorganização não se refere apenas ao ato de ensinar. Refere-se à luta contra os defeitos do sistema que estão cada vez maiores. Por exemplo, o ensino de disciplinas separadas e sem comunicação entre si produzindo uma fragmentação e uma dispersão que impede o cidadão de ver globalmente coisas que são cada vez mais importantes no mundo. Portanto refere-se aos setes saberes necessários que implicam em ensinar: reconhecer as cegueiras do conhecimento, seus erros e ilusões; assumir os princípios de um conhecimento pertinente; condição humana; identidade planetária; enfrentar as incertezas; compreender e ética do gênero humano.

Dentre os setes saberes o reconhecer as cegueiras do conhecimento, seus erros e ilusões e assumir o ato de conhecer como um traduzir e não como uma foto correta da realidade, ou seja, trata-se de armar nossas bases para o combate vital pela lucidez e isso significa estar sempre buscando modos de conhecer o próprio ato de conhecer; ensinar a condição humana deveria ser o objetivo essencial de qualquer sistema de ensino e isso passando a considerar conhecimento que estão dispersos em várias disciplinas como as ciências naturais, as ciências humanas, a literatura e a filosofia, ou seja, as gerações precisas conhecer a unidade e a diversidade do humano; ensinar a identidade planetária tem a ver com mostrar a complexidade da crise planetária que caracteriza o século XX, ou seja, trata-se de ensinar a história da era planetária, mostrando como todas as partes do mundo necessitam ser intersolidárias, a vez que enfrentam os mesmos problemas de vida e morte; é preciso aprender a tentar as incertezas reveladas ao longo do século XX através da microfísica, da termodinâmica, da cosmologia, das ciências biológicas evolutivas, das neurociências e das ciências históricas, ou seja, é preciso aprender a navegar no oceano das incertezas através dos arquipélagos das certezas; compreender é ao mesmo tempo meio e fim da comunicação humana, portanto não pode ser algo desconsiderado pela educação e, para tanto, precisamos passar por uma reforma das mentalidades; por ética do gênero humano, entende-se uma abordagem que considera tanto o individuo, quanto a sociedade e a espécie e isso não se ensina dando lição de moral e sim isso passa pela consciência que o humano vai adquirindo de si mesmo como individuo, como parte da sociedade e como parte da espécie humana; o mais importante em nosso estudo da obra é os princípios de conhecimento pertinente que entende-se a necessidade de ensinar os métodos que permitam apreender as relações mútuas e as influências recíprocas entre as partes e o todo do mundo complexo, ou seja, trata-se de devolver uma atitude mental capaz de abordar problemas globais que contextualizem suas informações parciais e locais.

Assim esse saber torna-se importante, pois Edgar Morin, expõe o questionamento do cidadão do novo milênio que se pergunta: como ter acesso às informações sobre o mundo e como ter a possibilidade de articula-las e organizá-las? Como perceber e conceber o Contexto, o Global (a relação todo/parte), o Multidimensional, o Complexo?. E como resposta encontramos como invisível para o cidadão o contexto, o global, o multidimensinal e o complexo e para que o conhecimento seja pertinente, a educação deve torna-los evidentes.

É essa evidencia que nos preocupamos principalmente o multidimensional que faz parte do tema desse artigo. Então

“A esse problema universal confronta-se a educação, pois existe inadequação cada vez mais ampla, profunda e grave entre, de um lado, os saberes desunidos, compartimentados e, de outro, as realidades ou problemas cada vez mais multidisciplinares, transversais, multidimensionais, transnacionais, globais e planetários.”(O Setes Saberes necessários à Educação do Futuro, Edgar Morin, pág. 36)

Para Morin, um dos grandes problemas do cidadão e compreender a complexidade do real posto que não se trata de designar idéias simples, nem tampouco se reduz a uma única linha ou vertente de pensamento e sim considerar todas as influencias recebidas: internas e externas, integrando os modos simplificadores do pensar e conseqüentemente negando os resultados unidimensionais resultados de um saber parcelado, fragmentado, reducionista e mutilador que tornam o conhecimento simplista e travador do saber, entretanto para que possa o cidadão ampliar o saber deve interpretar os aspectos da ambigüidade, sem, contudo desconsiderar a multidimensionalidade do real, ou seja, os diversos caracteres do fenômeno assim adquirem consciência do próprio limite, de saber que não tem limite porque na vida e na ciência não a certeza absoluta, por isso não a saber total. Ele vai se construindo, mas nunca se esgota.

Então os saberes desunidos como estão estruturados só servem para isolar os objetos do seu meio e isolar partes de um todo. Eliminam a desordem e as contradições existentes, para dar uma falsa sensação de arrumação. A educação deveria romper com isso mostrando as correlações entre os saberes, a complexidade da vida e dos problemas que hoje existem. Caso contrário, será sempre ineficiente e insuficiente para os cidadões do futuro.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Pôster



O Museu Histórico do Estado do Pará está aberto para visiatação durante o Fórum Social Mundial que acontece em Belém do Pará. O Museu fica localizado no centro histórico de Belém, (prox. ao Ver-o-Peso), denominado Núcleo Cultural Feliz Lusitânia composto pelo Museu de Arte Sacra (Igreja de Santo Alexandre), Museu Arqueológico (Forte do Castelo) e Museu de Arte Contemporânea (Casa das Onze Janelas). A entrada é franca na terça-feira em todos os Museus, no restante da semana e cobrada uma taxa.
Participe...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

A CONQUISTA DA FELICIDADE: Bertrand Russuel


Bertrand Arthur William Russell, 3rd Earl Russell, OM, FRS (18 May 1872 – 2 February 1970), was a British philosopher, logician, mathematician, historian, advocate for social reform, and pacifist. Although he spent the majority of his life in England, he was born in Wales, where he also died.
(wINKIPEDIA, acesso 06/01/2009

O HOMEM FELIZ


Escrevi neste livro como um hedonista, isto é, como uma criatura que considera a felicidade como sendo o único bem, mas os atos que se recomendam, do ponto de vista do hedonista, são, de modo geral, os mesmos recomendados pelo moralista sensato. O moralista, porém, tem demasiada tendência – embora isto não constitua, por certo , uma verdade geral – para dar mais importância ao ato do que ao estado de espírito. Os efeitos de um ato sobre o agente serão os mais diversos possíveis, segundo o seu estado de espírito no momento.

O homem feliz é o homem que não sofre de nenhuma dessas falhas quanto à unidade – mesmo, nem voltada contra o mundo. Tal homem se sente cidadão do universo, desfrutando livremente do espetáculo que o mundo oferece e das alegrias que êste proporciona, indiferente à idéia da morte, pois que não se sente, realmente, separado daqueles que virão dêle. É nessa união profunda e instintiva com o fluxo da vida que se pode encontrar a maior alegria. (pg. 197)



“A FELICIDADE E O PRIMEIRO BEM A CONQUISTAR; A BOA FAMA VEM EM SEGUNDO LUGAR” (BEVENISTE I, pg. 174)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

PSICANÁLISE E EDUCAÇÃO : Sigmund Freud


Sigismund Schlomo Freud (Freiberg, 6 de mayo de 1856 - Londres, 23 de septiembre de 1939), más conocido como Sigmund Freud, fue un médico, neurólogo y librepensador austriaco, y el creador del psicoanálisis.

(Wikipedia, acesso 06/01/2006)


O INTERESSE EDUCACIONAL DA PSICANÁLISE

O interesse dominante que tem a psicanálise para a teoria da educação baseia-se num ato que se tornou evidente. Somente alguém que possa sondar as mentes das crianças será capaz de educá-las e nós, pessoas adultas, não podemos entender as crianças porque não mais entendemos a nossa própria infância. Nossa amnésia infantil prova que nos tornamos estranhos à nossa infância. A psicanálise trouxe à luz os desejos, as estruturas de pensamento e os processos de desenvolvimento da infância. Todos os esforços anteriores nesse sentido foram, no mais alto grau, incompletos e enganadores por menosprezarem inteiramente o fator inestimavelmente importante da sexualidade em suas manifestações físicas e mentais. O espanto incrédulo com que se defrontam as descobertas estabelecidas com maior grau de certeza pela psicanálise sobre o tema da infância - o complexo de Édipo, o amor a si próprio (ou ‘narcisismo’), a disposição para as perversões, o erotismo anal, a curiosidade sexual - é uma medida do abismo que separa nossa vida mental, nossos juízos de valor e, na verdade, nossos processos de pensamento daqueles encontrados mesmo em crianças normais.

Quando os educadores se familiarizarem com as descobertas da psicanálise, será mais fácil se reconciliarem com certas fases do desenvolvimento infantil e, entre outras coisas, não correrão o risco de superestimar a importância dos impulsos instintivos socialmente imprestáveis ou perversos que surgem nas crianças. Pelo contrário, vão se abster de qualquer tentativa de suprimir esses impulsos pela força, quando aprenderem que esforços desse tipo com freqüência produzem resultados não menos indesejáveis que a alternativa, tão temida pelos educadores, de dar livre trânsito às travessuras das crianças. A supressão forçada de fortes instintos por meios externos nunca produz, numa criança, o efeito de esses instintos se extinguirem ou ficarem sob controle; conduz à repressão, que cria uma predisposição a doenças nervosas no futuro. A psicanálise tem freqüentes oportunidades de observar o papel desempenhado pela severidade inoportuna e sem discernimento da educação na produção de neuroses, ou o preço, em perda de eficiência e capacidade de prazer, que tem de ser pago pela normalidade na qual o educador insiste.

E a psicanálise pode também demonstrar que preciosas contribuições para a formação do caráter são realizadas por esses instintos associais e perversos na criança, se não forem submetidos à repressão, e sim desviados de seus objetivos originais para outros mais valiosos, através do processo conhecido como ‘sublimação’. Nossas mais elevadas virtudes desenvolveram-se, como formações reativas e sublimações, de nossas piores disposições.

A educação deve escrupulosamente abster-se de soterrar essas preciosas fontes de ação e restringir-se a incentivar os processos pelos quais essas energias são conduzidas ao longo de trilhas seguras. Tudo o que podemos esperar a título de profilaxia das neuroses no indivíduo se encontra nas mãos de uma educação psicanaliticamente esclarecida.

Não foi meu objetivo neste artigo colocar ante um público cientificamente orientado uma descrição do alcance e do conteúdo da psicanálise ou de suas hipóteses, problemas e descobertas. Meu objetivo terá sido atingido se eu tiver deixado claras as muitas esferas de conhecimento em que a psicanálise é de interesse e os numerosos vínculos que começou a forjar entre elas.

(Freud, obras digitalizadas)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

LITERATURA E PSICANÁLISE

Aproximar a Literatura da Psicanálise visa à possibilidade de transmissão desta por meio de uma análise interpretativa do romance psicológico. Essa relação passa necessariamente, pelo enfoque psicanalítico do texto literário, pois também a Psicanálise trabalha com o verbal via interpretação, entretanto esse verbal pela Psicanálise Clínica é interpretado por meio da expressão na linguagem oral do paciente, enquanto na Crítica Psicanalítica é o texto que é interpretado como expressão escrita do personagem. .

A interpretação de textos literários foi uma das atividades de análise, exercidas por Sigmund Freud, considerado o teórico maior da Psicanálise devido à publicação em 1900, da obra “Interpretação de Sonhos”. Ele declarou que embora não fosse um conhecedor de arte, mas um leigo no assunto, que as obras de arte sempre exerceram sobre ele um efeito poderoso, sobretudo a Literatura e a escultura e, menos frequentemente, a pintura. Passava longo tempo contemplando-as, tentando apreendê-las à sua maneira e explicar a razão de seu efeito sobre si mesmo e sobre outras pessoas.

Freud dirige sua análise para a intenção do artista, expressada na obra, não para compreendê-la intelectualmente, mas para despertar em nós a mesma “constelação mental” que no artista produziu ímpeto de criar. Ele descobriu na literatura muitos insights que anteciparam e corroboraram os seus próprios, exemplo são os estudos das obras Os irmãos Karamazov, de Dostoievski, em Hamlet, no Neveu de Romeu, de Diderot, em Goethe. Ele pensava no autor como um neurótico obstinado que, pelo seu trabalho criativo, esquivava-se a um colapso, mas também a qualquer cura real. Isto é, o poeta é alguém que sonha acordado e é validado socialmente. Em vez de tentar alterar esse caráter, ele perpetua e publica as suas fantasias.

Todavia, a aproximação da Literatura e da Psicanálise pela Critica Psicanalítica atualmente não visa o estudo do processo criador, que caberia a Critica Genética. O que se pretende na análise pelo viéis psicanalítico é buscar no personagem dos romances e contos suas manifestações patológicas, deixando de lado a psicologia do escritor, para assim encontrar o inconsciente do personagem psicológico e para tanto e necessário que o método psicológico de Freud que consiste na análise interpretativa de algumas formações de tipo especial como a neurose obsessiva e a psicose, que se permitem reduzir às suas raízes inconscientes.

Nesse sentido, a finalidade da Psicanálise é possibilitar que se compreenda a personagem psicológica do romance e seu conflito interior. Para isso é necessário aproximar o discurso da Psicanálise das narrativas ficcionais, de ordem literária.

Esse método deve-se ao fato dos estudos literários estarem centrado na linguagem e sua estrutura, enquanto forma de expressão das imagens verbais, destacando-se nesse sentido a forma. Esses estudos são dirigidos à identificação, na obra literária, de aspectos narrativos, ou seja, a posição do narrador no contexto literário no qual se insere, surgindo os conceitos de “narrador onisciente” e “narrador personagem” identificados pela linguagem verbal do discurso. Essa visão, porém, mudou muito dado o desenvolvimento da Literatura em seu plano discursivo, em que o personagem moderno, além de narrar os fatos, protagoniza e pensa em sua condição social enquanto sujeito social da narrativa. Daí, portanto, a possibilidade de estudo psicológico do personagem.

O estudo literário, a partir da Crítica Psicanalítica admitiu nesse sentido o caráter não apenas formal da linguagem, mas também a constituição psicológica, em que o conteúdo da obra foi valorizado e a personagem passa a ser interpretada não somente por sua posição enquanto agente social, mas também em relação do seu comportamento e sua constituição psíquica.

O NASCIMENTO DA FONOLOGIA; Escola de Fonológia de Praga

Problema enfrentado pela Escola de Fonológia de Praga.

-“Na língua não existem senão diferenças, Saussure não chegou a assimalar nitidamente a distinção entre imagem acústica dos sons (a qual não é a somo limitada de elementos distintivos) e a substância material dos sons, com sua infinidade de movimento muscular.”(pg. XI)

Principal representante da Escola Fonológica de Praga:

-Roman Jakobson integrou o Círculo Lingüístico de Moscou, 1915, que seguiam as idéias do Formalismo Russo. Esse movimento colocava como primeira tarefa da crítica a análise das formas literárias, das mais simples (recorrências fônicas, por exemplo) às mais complexas (gêneros literários). Para os formalistas russos, o importante são os procedimentos (procedes, do francês) e não o conteúdo psicológico ou filosófico das obras. “O procedimento, eis o único herói da literatura” era a palavra de ordem para Jakobson”(pg. X)

Tese Proposição 22, apresentada em 1928, no Congresso Internacional de Lingüística, realizado em Haia, por Jakobson, Nicolas Serivitch e Karcevki. Marcando o nascimento da nova disciplina, a FONOLOGIA.(pg. X)

Obras de Jakobson,
· Notas sobre a evolução do Russo Comparada à das outras Línguas Eslava
· Princípios de Fonologia Histórica
· Sobre a Teoria das Afinidades Fonológicas entre as Línguas
· O Desenvolvimento Fonológico da Linguagem Infantil
· Coerências Correspondentes nas Línguas do Mundo

SOM e SIGNIFICADO
Lingüista polonês Jan Niecislaw Baudouin (1845-1929)
-inventor do termo FONEMA.
Mas foi somente com Jakobson que se chegou, por exemplo, a afastar o conceito de indivisibilidade unitária do mesmo. Antes dele, esse fato era admitido de tal modo que, na definição do termo incluía-se a não suscetibilidade de dissociação como característica do fonema. (pg. X)

Conceito de fonema

· Jakobson e Leonard Bloomfield, afirmam que o fonema é um feixe de traços distintivos e começou a operar diretamente com esses traços.
Fonema para Jakobson: princípios dicotômicos:

1. não apresenta “um significação próprio positiva”

2. contribuir para diferenciar os elementos lexicais significativos entre si, estabelecendo, desse modo, o contraste entre cada palavra (na qual se encontra) e todas as outras que, em circunstâncias análogas, encerram outro fonema.

3. a característica de um som lingüístico como o fonema depende de certos traços, cuja ausência ou presença o opõe, por sua vez, a todos os demais da língua.Esses traços constituiriam as unidades mínimas e indivisíveis

4. estabeleceu os quadros dos traços fônicos de uma língua e caracterizam os seus próprio fonemas.

5. cada fonema e analisado pelo critério de presença e ausência de um traço.Exemplo de pares de presença e ausência no português:
· sonorização – não-sonorização (/b/:/p/ , /d/:/t/ , /z/ : /s/ , etc)
· oclusão – não-oclusão (/p/ : /f/ , /b/ : /v/ , /t/ : /s/ , /d/ : /z/ , etc)
· palatização – não-palatização (/x/ : /s/ , /lh/ : /l/ , etc)
Evidencia assim, o caráter binário do traço distintivo – caráter esse que marcará (ou não), segundo sua presença (ou ausência), cada um dos termos que participam das diversas oposições fonológicas, de tal modo que, ao termo caracterizado pela presença da marca, Jakobson denominou “termo marcado”, e aquele caracterizado pela ausência, “termo não marcado”.
O binarismo do traço, porém, não se limita segundo Jakobson, à fonologia; a oposição “marcado”/ “não marcado” surge também em morfologia, em sintaxe, em semântica, e, inclusive, nos estudos sobre os distúrbios característicos da afasia (perda da palavra falada). (pg. XIII)
AFASIA para Jakobson
“desdobra –se em dois tipos de distúrbios referentes a dois tipos de anomalias da linguagem.

1. proveniente da deterioração capacidade de seleção das unidades lingüísticas pertencentes ao sistema, foi denominado distúrbio paradigmático 2. diz respeito à determinação do poder de combinar tais unidades na cadeia lingüística, chamado de distúrbio sintagmático.

Níveis do processo de comunicação no distúrbio:
· articulatório
· acústico
· nervoso
· perceptivo

(Coleção: Os Pensadores)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

LEITURA OBRIGATÓRIA: João de Jesus Paes Loureiro


(Abaetetuba, 23 de junho de 1939) é um escritor, poeta e professor universitário brasileiro. Professor de Estética, História da Arte e Cultura Amazônica, na Universidade Federal do Pará. Mestre em Teoria da Literatura e Semiótica, PUC/UNICAMP, São Paulo e Doutor em Sociologia da Cultura pela Sorbonne, Paris, França.

Possui diversas obras publicadas, como o livro "Cultura Amazônica - Uma Poética do Imaginário", tese de doutoramento na Universidade de Paris V (Sorbonne, França). Parceiro, como poeta, de vários compositores paraenses, tais como Wilson Dias da Fonseca, é autor da inspirada letra da valsa "Rachelina" (1922), escrita em 1996, cujo texto procura retratar, com fidelidade, o espírito da música composta por José Agostinho da Fonseca (1886-1945), em homenagem à pianista santarena Rachel Peluso.
(Winkepédie, acesso 24/12/2008)



(por Ramiro da Silva, publicitário)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

TEORIA DA COMUNICAÇÃO: Romam Jakobson


Roman Osipovich Jakobson (Роман Осипович Якобсон) (11 de Outubro de 1896 - 18 de Julho de 1982) foi um pensador russo que se tornou num dos maiores lingüistas do século XX e pioneiro da análise estrutural da linguagem, poesia e arte.
(Winkepédie)

TEORIA DA INFORMAÇÃO

“ O binarismo facilita o trabalho de emissão e recepção dos locutores e ouvintes, permitindo que, em sua operação cotidianas codificação e decodificação, obtivessem situações vantajosas de escolha binária, graças ao recursos informacionais.”

Modelo para a transmissão de comunicação:

(pg. XIV)

Emissor canal de transmissão Receptor

Mensagem(código)

*Código: tem a finalidade de transmitir um dado relativo à experiência do emissor a respeito do mundo, ou seja, um referente.

A partir daí, Jakobson deduziu que a linguagem apresenta seis funções, cada uma das quais, especificamente orientada a partir de um dos componentes do modelo.

Função Referencial (representativa ou denonativa): quando a comunicação se centraliza essencialmente no referente.

EX: a Lua é um satélite da Terra.

Função Expressiva ou Emotiva: quando visa à atitude do emissor em si diante de sua mensagem.

EX: Eu te amo.

Função Conativa: quando visa o receptor, para agir sobre ele.

EX: Não deixe de assistir à aula.

Função Fática: quando a mensagem contém elementos que procuram verificar o bom funcionamento do canal ou a atenção do receptor.

EX: Está ouvindo o que estou dizendo(PERGUNTA)

Função Metalinguagem: quando a mensagem é utilizada para explicar o código.

EX: Chover é verbo defectivo.

Função Poética: quando a mensagem visa, centralmente, à elaboração de sua própria forma.

EX: Já não queria a maternal adoração/ que afinal nos exaure e resplandece em pânico.

(Coleção Pensadores, Romam Jakobson)

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