segunda-feira, 26 de agosto de 2013
ROTEIRO III PARTICIPANTES DO DISCURSO
ROTEIRO III PARTICIPANTES DO DISCURSO
1. FATOS (O QUÊ): é o tema que será abordado (assunto principal do texto)
2. PERSOANGENS/ PESSOAS (QUEM): pessoas envolvidas
3. ONDE: o lugar onde ocorreu
4. QUANDO: tempo em que ocorreu o fato.
o verbo haver, fazer e ser nas indicações de tempo exemplo,
há cinco anos não aparece aqui
faz cinco anos que não aparece aqui
era à hora da sobremesa.
A tais verbos podemos chamar impessoais essenciais
o verbo passar acompanhado de preposição de exprimindo tempo, exemplo:
já passava dois dias.
5. COMO: ocorreu o fato
o verbo ir acompanhado de adverbio ou locução adverbial para exprimir como ocorrem as coisas a alguém:
6. POR QUÊ: ocorreu o fato
EXEMPLO: Suponhamos que a notícia é sobre um incêndio. Escrevendo o peimeiro parágrafo, o repórter responderia a pergunta: O que? Escrevendo”incendiouse”... Responderia as perguntas Quem? E Onde? Dizendo o estabelecimento queimado, e dando a sua locaização. Dizendo a hora em que o incêndio começou e quando terminou responderia Quandov Por que? Neste caso a causa do ocorrido: a inevitável ponta de cigarro acesa. Nosso repórter pode responder Como? Nesta história, de diversas maneiras – descrevendo o tipo de fogo, Labaredas avivadas por um vento constante ou também respondendo a Quanto? , neste caso ele calcularia a provável perda financeira e procuraria saber se o estabelecimento estava no seguro. (PG. 160, BOND)
CARACTERISTICA
NOTO: Uma noticia deve ser imparcial e objetiva, ou seja, deve expor fatos e não opiniões. A linguagem deve ser impessoal, clara, direta e precisa.
Impessoalidade: 3º pessoa do verbo e dos pronomes
Não deve aparecer a opinião do escritor, e a linguagem e direta e concisa, resumindo-se ao essencial.
Objetivo: difundir a verdade e objetivar os fatos, eis a finalidade do ideal jornalismo.
Obs: alguns recursos não devem ser esquecidos quando da escritura de um texto discursivo é o fato do que se quer dizer deve ser escrito de forma completa, para não deixar o leitor no ar, para isso deve ser escrito os detalhes completos (corpo). Outro fator e a clareza e a exatidão do que se estar escrevendo.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
"Labeling Approach" ou etiquetamento
Em meados do século XX, nos Estados Unidos, surgiu uma nova corrente fenomenológica denominada “Labelling Approach”, também conhecida por Teoria da Reação Social, do etiquetamento ou da rotulação. Emergiu com um novo enfoque sobre a formatação do
delito, dando maior ênfase ao estudo do próprio sistema penal, inclusive na análise de seu funcionamento desigual. Este novo paradigma é considerado por muitos estudiosos, como Lola de Aniyar de Castro1, a gênese da Criminologia Crítica.
Conforme ensinamento da autora acima mencionada: “[...] Esta escola deixou
estabelecido, finalmente, que a causa do delito é a lei, não quem a viola, por ser a lei que
transforma condutas lícitas em ilícitas”.
O “Labelling Approach” tem como pressuposto básico a idéia de que não se
pode entender a criminalidade sem associá-la a atuação de agências oficiais. Isto quer dizer que só se pode falar em agente desviante da lei a partir da ação do sistema penal, entendida esta em seu sentido mais amplo, desde a elaboração das normas abstratas, até a perseguição provocada pelos agentes propriamente dita (atuação da magistratura, do Ministério Público etc.). Assim, Alessandro Baratta dispõe que “[...] o labelling approach tem se ocupado principalmente com as
reações das instâncias oficiais de controle social, considerados na sua função constitutiva em face
da criminalidade”.
Surge então uma nova forma de visão acerca da criminalidade. O criminoso
deixa de ser visto como um ser intrinsecamente bom ou mal, ou provido de fatores
biopsicológicos que o formatam como delinqüente, e passam a ser um fruto de uma construção social (moldagem da realidade social), proveniente do contato que o agente desviante tem com as instâncias oficiais. Alessandro Baratta fala de duas matrizes técnicas que formatam a criminalidade, quais sejam, o interacionismo simbólico e a etnometodologia:
“[...] Segundo o interacionismo simbólico, a sociedade – ou seja, a realidade
social – é constituída por uma infinidade de interações concretas entre
indivíduos, aos quais um processo de tipificação confere um significado que se
afasta das situações concretas e continua a estender-se através da linguagem.
Também segundo a etnometodologia, a sociedade não é uma realidade que se
possa conhecer sobre o plano objetivo, mas o produto de uma ‘construção
social’. Obtida graças a um processo de definição e de tipificação por parte dos
indivíduos e de grupos diversos”.
Este paradigma constrói uma nova forma de visualização do delinqüente: o
marginalizado. Este só aparece quando há atuação daqueles que perseguem os fatos ilícitos.
Assim, não basta a prática de um ato ilegal, é necessária a reação social. Infringir a lei, por si só, não torna alguém criminoso (na visão social); é preciso que este agente desviante sofra atuação das instâncias oficiais e seja “selecionado” a integrar o grupo dos sujeitos tidos como criminosos dentro da sociedade. Esta visão torna-se clara com o entendimento de Vera Regina de Andrade:
“[...] A criminalidade se revela, principalmente, como um status atribuído a
determinados indivíduos mediante um duplo processo: a ‘definição’ legal de
crime, que atribui à conduta o caráter criminal e a ‘seleção’ que etiqueta e
estigmatiza um autor como criminoso entre todos aqueles que praticam tais
condutas”.
Fonte:DA SILVA, Diego Gomes Alves e Simone Tavares Batista; OS EFEITOS DA TEORIA DA REAÇÃO SOCIAL (LABELLING APPROACH) NA SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA,
terça-feira, 28 de maio de 2013
CONTO: Madame Zoraide
Marcus Demóstenes tomou a mais nobre decisão de sua vida. Depois de ter lido a maioria dos cânones da Literatura Brasileira, do “boca do inferno”, passando pela leitura de Marília de Dirceu, deleitando-se com o romantismo de Gonçalves Dias, até chegar na leitura de Machado de Assis escritor que o encantou. Estava na idade da razão, quando leu “A Ressurreição”, obra que iria marcar sua vida.
CLIQUE AQUI PARA LER
Na faculdade de psicologia leu “para viver um grande amor”, texto de Vinícios de Moraes, responsável em colocar o ponto final em seu princípio que consistia em ser um homem de uma só mulher. Respondia a todos que o indagavam:- Por que não tinha namorada? – Ser de muitas mulheres não tinha nem um valor. E para os que o chamavam de homossexual, respondia:- Conheça-me primeiro fará juízo seguro.
Sempre lembrava-se do livro de Machado, as jovens mandavam-lhe correspondência amorosas, declarações como as cantigas de amor medieval, ele compreendia que elas confundiam sua nobreza, sua doçura e suas boas intenções com seu libido sexual. Seu encanto para com elas era tamanho que poderia assumir uma postura de Dom Juan. Mas não, o vez, o personagem de Machado tinha lhe ensinado: “não adiantava ter todas e nem uma”, teria uma vida vazia. Preferia acreditar existir dentre todas uma que seria sua senhora por todo sempre.
Sua vida a partir dessa decisão de ser um homem de uma só mulher passou a ser dividida pelas mulheres que o tentavam provocando mesmo o seu ego e seus colegas que zombavam de seu princípio, mesmo assim procurava e apesar de jamais encontrar. Seus amigos não compreendiam sua postura, mas Marcus sabia que ela estava em algum lugar. Certo dia veio a sua memória as indagações: O que fazer? Como deveria fazer? Onde a encontraria?
Esse questionar para si começou a ser freqüente chegando a perturbar sua consciência. Toda a psicologia que estudara na faculdade não estava adiantando. Tomou a decisão de contar para uma amiga sua sina, seu princípio e as perguntas que passaram a perturbar sua consciência. Ela o orientou que não se tratava de um princípio, mas sim de uma premissa de seu eu para si mesmo e que deveria ir a uma cartomante. Um oráculo cabalístico para poder ser orientado melhor e assim garantir uma luz em seu caminho. Ela o explicou como via sua situação:- Estais caminhando meu amigo no escuro e precisa dessa orientação, pois, assim saíras das trevas onde te encontras agora perdido sem horizonte de expectativa. Ele não ficou convencido acreditava ser sua ciência maior que qualquer misticismo mais mesmo assim anotou o número telefônico, prometendo ligar.
Depois de uns dias, buscando sem encontrar, olhando sua agenda telefônica os números das moças que havia conhecido durante esses tempos, apareceu o telefone de Madame Zoraide como era chamada à senhora mística que viria a iluminar seu caminho. Pensou vou ligar agora mesmo.
-Olá, boa tarde gostaria de falar com Madame Zoraide.
-É ela, sobre o que se trata.
-Fui orientado a ir com a senhora, pois teria respostas para minhas dúvidas.
-Sim, posso ajudar. Meu endereço é Rua dos Tamoios, Vila Cinco irmãos casa 03.
Anotou o endereço, o dia e a hora de sua consulta. O enamorado que até então era de todas e de nem uma, apresentou-se na hora e no local marcado. Foi confiante, e nem pensava em duvidar de uma palavra se quer do oráculo. Já havia sido orientado por uma pessoa de confiança, isso bastava.
A consulta durou cerca de uma hora. A análise do “livro de páginas soltas”, como Madame Zoraide chamava sua ferramenta de trabalho, deu-lhe uma orientação para o futuro a suas perguntas: O que fazer? Como deveria fazer? Onde a encontraria?
Esses questionamentos levou a uma leitura do tarô por Madame Zoraide de seu futuro, assim, disse ela: -Segue um caminho até encontrar-te numa encruzilhada, perguntar-te-á qual caminho seguir, o da direito ou o da esquerda, perguntarás para um velho e ele te dirá o melhor caminho a seguir. Dizendo mais: – Quando ofereceres teu dinheiro achará que está duvidando de sua palavra e de sua boa fé, esse senhor recusará teu dinheiro e acrescentará, quando voltares eu estarei aqui, lembre de mim.
Saiu da consulta e seguiu seu caminho a procurar sem nunca encontrar. Passaram-se dias, meses e anos e nada. Foi quando num repente tudo se revelou, estava andando quando uma moça jovem e bonita luziu em sua frente. Parada olho-o de ponta a cabeça e perguntou qual caminho deveria tomar para chegar até Em Almeirim. Então viu-se numa encruzilhada, olhou para a direita olhou para e a esquerda. Ficou embaraçado, entretanto conseguiu em sobressaltos falar:
– Por que está indo para lá?
A moça com emoção respondeu estar indo visitar sua mãe que estava muito doente e precisava de sua companhia. Marcus disse-lhe que deveria tomar o caminho da direita. A moça estendeu um dinheiro para lhe retribuir a ajuda. Ele não aceitou, mas deu-lhe seu telefone para que ligasse. No outro dia a morena de olhos d’água, que tinha luzido em sua frente, ligou e marcaram um encontro. Assim deu-se o princípio de uma relação amorosa que duraria por toda a vida.
CLIQUE AQUI PARA LER
Na faculdade de psicologia leu “para viver um grande amor”, texto de Vinícios de Moraes, responsável em colocar o ponto final em seu princípio que consistia em ser um homem de uma só mulher. Respondia a todos que o indagavam:- Por que não tinha namorada? – Ser de muitas mulheres não tinha nem um valor. E para os que o chamavam de homossexual, respondia:- Conheça-me primeiro fará juízo seguro.
Sempre lembrava-se do livro de Machado, as jovens mandavam-lhe correspondência amorosas, declarações como as cantigas de amor medieval, ele compreendia que elas confundiam sua nobreza, sua doçura e suas boas intenções com seu libido sexual. Seu encanto para com elas era tamanho que poderia assumir uma postura de Dom Juan. Mas não, o vez, o personagem de Machado tinha lhe ensinado: “não adiantava ter todas e nem uma”, teria uma vida vazia. Preferia acreditar existir dentre todas uma que seria sua senhora por todo sempre.
Sua vida a partir dessa decisão de ser um homem de uma só mulher passou a ser dividida pelas mulheres que o tentavam provocando mesmo o seu ego e seus colegas que zombavam de seu princípio, mesmo assim procurava e apesar de jamais encontrar. Seus amigos não compreendiam sua postura, mas Marcus sabia que ela estava em algum lugar. Certo dia veio a sua memória as indagações: O que fazer? Como deveria fazer? Onde a encontraria?
Esse questionar para si começou a ser freqüente chegando a perturbar sua consciência. Toda a psicologia que estudara na faculdade não estava adiantando. Tomou a decisão de contar para uma amiga sua sina, seu princípio e as perguntas que passaram a perturbar sua consciência. Ela o orientou que não se tratava de um princípio, mas sim de uma premissa de seu eu para si mesmo e que deveria ir a uma cartomante. Um oráculo cabalístico para poder ser orientado melhor e assim garantir uma luz em seu caminho. Ela o explicou como via sua situação:- Estais caminhando meu amigo no escuro e precisa dessa orientação, pois, assim saíras das trevas onde te encontras agora perdido sem horizonte de expectativa. Ele não ficou convencido acreditava ser sua ciência maior que qualquer misticismo mais mesmo assim anotou o número telefônico, prometendo ligar.
Depois de uns dias, buscando sem encontrar, olhando sua agenda telefônica os números das moças que havia conhecido durante esses tempos, apareceu o telefone de Madame Zoraide como era chamada à senhora mística que viria a iluminar seu caminho. Pensou vou ligar agora mesmo.
-Olá, boa tarde gostaria de falar com Madame Zoraide.
-É ela, sobre o que se trata.
-Fui orientado a ir com a senhora, pois teria respostas para minhas dúvidas.
-Sim, posso ajudar. Meu endereço é Rua dos Tamoios, Vila Cinco irmãos casa 03.
Anotou o endereço, o dia e a hora de sua consulta. O enamorado que até então era de todas e de nem uma, apresentou-se na hora e no local marcado. Foi confiante, e nem pensava em duvidar de uma palavra se quer do oráculo. Já havia sido orientado por uma pessoa de confiança, isso bastava.
A consulta durou cerca de uma hora. A análise do “livro de páginas soltas”, como Madame Zoraide chamava sua ferramenta de trabalho, deu-lhe uma orientação para o futuro a suas perguntas: O que fazer? Como deveria fazer? Onde a encontraria?
Esses questionamentos levou a uma leitura do tarô por Madame Zoraide de seu futuro, assim, disse ela: -Segue um caminho até encontrar-te numa encruzilhada, perguntar-te-á qual caminho seguir, o da direito ou o da esquerda, perguntarás para um velho e ele te dirá o melhor caminho a seguir. Dizendo mais: – Quando ofereceres teu dinheiro achará que está duvidando de sua palavra e de sua boa fé, esse senhor recusará teu dinheiro e acrescentará, quando voltares eu estarei aqui, lembre de mim.
Saiu da consulta e seguiu seu caminho a procurar sem nunca encontrar. Passaram-se dias, meses e anos e nada. Foi quando num repente tudo se revelou, estava andando quando uma moça jovem e bonita luziu em sua frente. Parada olho-o de ponta a cabeça e perguntou qual caminho deveria tomar para chegar até Em Almeirim. Então viu-se numa encruzilhada, olhou para a direita olhou para e a esquerda. Ficou embaraçado, entretanto conseguiu em sobressaltos falar:
– Por que está indo para lá?
A moça com emoção respondeu estar indo visitar sua mãe que estava muito doente e precisava de sua companhia. Marcus disse-lhe que deveria tomar o caminho da direita. A moça estendeu um dinheiro para lhe retribuir a ajuda. Ele não aceitou, mas deu-lhe seu telefone para que ligasse. No outro dia a morena de olhos d’água, que tinha luzido em sua frente, ligou e marcaram um encontro. Assim deu-se o princípio de uma relação amorosa que duraria por toda a vida.
sábado, 18 de maio de 2013
PORTUGUÊS DO BRASIL versus PORTUGUÊS DE PORTUGAL: querelas
Defesa da Língua Brasileira Nacional
RIBEIRO (1933)
A Língua Nacional:
Esse texto tem caracteristica de uma exaltação à alma e ao espírito brasileiro, libertos,
via língua, das amarras que prendiam ao reino português. (pg. 87)
“Parece todavia incrível que a nossa Independência ainda conserve essa algema nos
pulsos, e que a personalidade de americanos pague tributo à submissão das palavras.
(...)
1 A nossa gramática não pode ser inteiramente a mesma dos portugueses. As
diferenciações regionais reclamam estilo e metodo diversos.
2· A verdade é que, corrigindo-nos, estamos de fato a muktilar idéias e sentimentos que
nos são pessoais.
3· Já não é a língua que apuramos, é nosso espiritoque sujeitamos a servilismo
inexplicavel.
4· Falar diferentemente não é falar errado. (...)
5· Na linguagem como na natureza, não há igualdades absolutas; não há, pois,
expressões diferentes que nã correspondam tambem a idéias ou a sentimentos
diferentes.
6· Trocar um vocabulo, uma inflexão por outra de Coimbra, é alterar o valor de ambos
a preço de uniformidades artificiosas e enganadoras. (...)
7· Não podemos, sem mentira e sem mutilação perniciosa, sacrificar a consciencia das
nossas proprias expressões.
8· Corrigi-las pode ser um abuso que afete e compromete a sensibilidade imanente a
todas elas.
9· Os nossos modos de dizer são diferentes e legitimos e, o que é melhor, são imediatos
e conservam, pois, o perfume do espirito que os dita”.
Nota: Ribeiro deixa de ser neutralidade cientifica, para expressar sua clara posição
apaixonada à unidade brasílica do português americano.
JOSÉ PEDRO MACHADO
O português do Brasil:
1 Sua obra tem característica de não exarcebação e de veemência a língua portuguesa.
“Os patrioteirismos, sempre deslocados, devem ser postos de parte, assim como os
brasileiros lusofilos em excesso e os portugueses de espíritos dissolente, enfim,
afastemos todos os que não tenham condições para meditar à frio”.
2 Sobre a língua brsileira nacional e sua individualidade
“Lembro que o nome do ilustre académico não é, nem pode ser, desconhecido. Trata-se
de um poeta 8, cuja glória foi coroada com aquêle admirável Martin Carerê, dedicado
ao Brsil-menino. Nessas pagínas, ao lado da simplecidade tão bela, aparece-nos um
português razoável.
Por isso, ocorre perguntar: Por que não emprega o delicado poeta nas suas obras uma
língua absolutamente diferente da minha (pergunta)
Além de justificar a existência do 'dialecto dignificado', tornava-se coerente com teor
do discurso feito na academia brasileira”. (Ênfase acrscida pelo autor)
CÂMARA JUNIOR
“Como quer que seja, as discrêpancias de língua padrão entre Brasil e Portugal não
devem ser explicadas por um suposto substrato tupi ou por uma suposta profunda
influência africana, como se tem feito às vezes. resultam essencialmente de se achar a
língua em dois territórios nacionais distintos e separados.
A partir do período do português popular e dialetal do Brasil é, naturalmente, outro.
Nele podem ter atuado substratos indígenas, não necessariamente, tupi, e os falares
africados, na estrutura, na estrutura fonológica e garmatical. Também se verificaram,
por ouro lado, sobrevivências de traços portugueses arcaicos, que não se eliminaram
de áreas isoladas ou laterais em relação às grandes correntes de comunicação da vida
colonial. A imensa vastidão do território brasileiro e as modalidades de uma
exploração intermitente e caprichosa já propiciavam, aliás, por si sós, uma complexa
dialetação, que ainda está por estudar cabalmente”.
CONCLUSÃO DAS TRÊS POSIÇÕES SOBRE A LÍNGUA NACIONAL
Câmara Junior advogou, como vimos, a inevitabilidade da diferenciação entre os dois
sistemas, pois cada um deles, em território diverso, continuou a sua história natural. João
Ribeiro e Cassiano Ricardo apregoaram a independência lingüística do sistema
brasileiro, portanto, a diferenciação a fim de garantir a individualização do idioma (ou
de um idioma) nacional brasileiro. José Pedro Machado garantiu e defendeu a unidade da Língia brasileira.
Referência feita ao poeta Cassiano Ricardo, a sua leitura feita no dia 30 de janeiro de 1941, na
Academia Brasileira de Letras, institulado “A Academia é a língua brasileira”.
lingüística do português, ficando a língua brasileira de João Ribeiro e de Cassiano
Ricardo reduzido a um dialeto da língua portuguesa (de Portugal).
TEMPOS LINGÜÍSTICOS: Itinerário histórico da língua portuguesa.
TARALLO, Fernando, ed. Ática,1990.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
A gratuidade e obrigatoriedade da Educação Brasileira
A ligação entre o direito à educação escolar e a democracia tem a legislação como um de seus suportes e invocará o Estado como provedor desse bem, seja para garantir a igualdade de oportunidades, seja para, uma vez mantido esse objetivo, intervir no domínio das desigualdades, que nascem do conflito da distribuição capitalista da riqueza, e progressivamente reduzir as desigualdades.
A intervenção tornar-se-á mais concreta quando da associação entre gratuidade e obrigatoriedade, já que a obrigatoriedade é um modo de sobrepor uma função social relevante e imprescindível de uma democracia a um direito civil. Essa intervenção, posteriormente, se fará no âmbito da liberdade de presença da iniciativa privada na educação escolar, de modo a autorizar seu funcionamento e pô-la sublege.
Essa ligação entre a educação e a escolaridade como forma de mobilidade social e de garantia de direitos tem um histórico que é variável de país para país, considerados os determinantes socioculturais de cada um.
Uma análise magistral que invoca a trajetória dos direitos, seja para classificálos,seja para mostrar sua progressiva evolução, é aquela oferecida por um célebre texto de Thomas Marshall (1967). Ele se debruça sobre a experiência da Inglaterrae a partir daí diferencia os direitos e os classifica por períodos. Desse modo, os direitos civis se estabeleceriam no século XVIII, os políticos, no século XIX, e os sociais, no século XX. Nessa trajetória o autor fará referências à educação e à instrução escolar.
Para o autor, a história do direito à educação escolar é semelhante à luta por uma legislação protetora dos trabalhadores da indústria nascente, pois, em ambos os casos, foi no século XIX que se lançaram as bases para os direitos sociais como integrantes da cidadania. Segundo Marshall, “a educação é um pré-requisito necessárioda liberdade civil” e, como tal, um pré-requisito do exercício de outros direitos.
O Estado, neste caso, ao interferir no contrato social, não estava conflitando com os direitos civis. Afinal, esses devem ser utilizados por pessoas inteligentes e de bom senso e, para tanto, segundo o autor, o ler e o escrever são indispensáveis.
A educação das crianças está diretamente relacionada com a cidadania, e, quando o Estado garante que todas as crianças serão educadas, este tem em mente, sem sombra de dúvida, as exigências e a natureza da cidadania. Está tentando estimular o desenvolvimento de cidadãos em formação. O direito à educação é um direito social de cidadania genuíno porque o objetivo da educação durante a infância é moldaro adulto em perspectiva. Basicamente, deveria ser considerado não como o direito da criança freqüentar a escola, mas como o direito do cidadão adulto ter sido educado.(p. 73)
Em outro momento de sua análise, ele reforça a tese iluminista que, a instrução,deve ser objeto da coerção estatal, já que o ignorante perde as condições reaisde apreciar e escolher livremente as coisas. Afinal, a marca do homem burguês é a autonomia com relação a poderes estranhos, e cuja concepção teórica básica se expressa em normas legais, que instituem a igualdade entre os indivíduos e nas suas relações com as coisas.
O final do século XIX demonstra que, na experiência européia, a educação primária era gratuita e obrigatória. A obrigatoriedade não só não era uma exceção ao laissez-faire, como era justificada no sentido de a sociedade produzir pessoas com mentes maduras, minimamente “iluminadas”, capazes de constituir eleitorado esclarecido e trabalhadores qualificados. Thomas Marshall (1967), comentando e citando o pensamento do economista liberal neoclássico Alfred Marshall, diz:
…o Estado teria de fazer algum uso de sua força de coerção, caso seus ideais devessem ser realizados. Deve obrigar as crianças a freqüentarem a escola porque o ignorante não pode apreciar e, portanto, escolher livremente as boas coisas quediferenciam a vida de cavalheiros daquela das classes operárias. […] Ele reconheceu somente um direito incontestável, o direito de as crianças serem educadas, e neste único caso ele aprovou o uso de poderes coercivos pelo Estado…(p. 60, 63MARSHALL, T. Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.)
A obrigatoriedade da educação e seu direito público estão instituídas e legitimadas no Brasil pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, no artigo Art. 55, “Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”, nota-se que o não cumprimento desse direito pode acarretar a prisão dos pais ou responsaveis pelas crianças, e sua frequência é dever tanto do Estado como da família assegurar, como se lê no artigo 54, insiso§ 3º “Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela freqüência à escola”.. Do ponto de vista do poder público os alunos tem sua frequência acompanhada pelo Conselho Tutelar e pelo Juiz da Infância e do Adolescente que em conjunto com as Instituições de Ensino tem o controle da frequência dos alunos que na hipótese de ausência de um aluno cabe ao diretor da escola comunicar ao Conselho Tutelar que se prontificará a chamar a atenção famíliar para o fato e seu esclarecimento. E cabe a escola apresentar à justiça o panorama de frequência e aprovação dos alunos que devem possuir na conformidade do texto da Lei de Diretrizes e Bases uma presença superior a 70% para a aprovação de qualquer aluno matriculado.
Fonte: MARSHALL, T. Cidadania, classe social e status. Rio de Janeiro: Zahar, 1967.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
CRASE 8: A crase aposta ao demonstrativo "aquele", “aquela” e “aquilo”
A ocorrência da crase com os pronomes aquele(s), aquela(s) e aquilo depende apenas da verificação da presença da preposição que antecede esses pronomes:
Veja aquele monumento. /
Veja aquela praça. /
Veja aquilo.
NOTA:O verbo ver é transitivo direto:
não há preposição
Refiro-me àquele jardim. /
Refiro-me àquela praça. /
Refiro-me àquilo.
NOTA: O verbo referir-se é verbo transitivo indireto e rege a preposição a
Exemplo:
“Iremos amanhã àquele sítio.”
NOTA: Nada de pensar que o fato de a palavra aquele ser masculina proíbe o uso da crase. O que não se admite é que o artigo feminino seja empregado em função de substantivo masculino. Mas, no caso acima, não aparece tal artigo, e sim a preposição a contraída com o demonstrativo aquele (iniciado pela vogal a).
CRASE 7: A crase em expressões não adverbiais
Usa-se crase quando a preposição a, combina com o artigo a, inicia objeto indireto ou objeto direto preposicionado. Ex.
“Dei um presente à criança.”
NOTA: À criança: objeto indireto.
“À pátria amou Caxias.”
NOTA 1: À pátria: objeto direto preposicionado.
Na frase “A pátria amou Caxias” (sem crase), o sujeito seria “a pátria”, e “Caxias” estaria funcionando como objeto direto.
NOTA 2: Caso os termos da oração aparecessem na ordem direta (primeiro o sujeito, depois o verbo, em seguida o objeto direto), a crase seria desnecessária.
Assim: “Caxias amou a pátria”.
CRASE 6: A crase em orações adjetivas
Ocorre quando funciona como pronome relativo a locução “o qual” ou “as quais” combina com a preposição a.Em tal circunstância teremos: à qual, às quais.
Ex:
a) Esteve em nosso escritório uma representante da “Escola Presidente Dutra”, à qual emprestamos vários livros./
a’) Esteve em nosso escritório um representante da “Escola Presidente Dutra”, ao qual emprestamos vários livros. //
b) Estiveram em nosso escritório duas representantes da “Escola Presidente Dutra”, às quais emprestamos vários livros./
b’) Estiveram em nosso escritório dois representantes da “Escola Presidente Dutra”, aos quais emprestamos vários livros.
NOTA: Para saber se a qual ou as quais deve ou não apresentar a craseado, vale a pena usar o recurso de substituir expressão feminina por masculina. Nos exemplos em pauta, substituímos “uma representante” por “um representante”, e “duas representantes por "dois representantes”. Com isto, apareceu ao no lugar de à, e aos no lugar de às, o que justifica a crase.
CRASE 5: A crase em expressões adverbiais
A preposição tem a propriedade de mudar a função gramatical de determinadas expressões. Suponhamos, então, que, para transformar certa expressão não adverbial em adverbial, seja necessário o emprgo da preposição a. Por exemplo:
“ A vontade” (artigo + substantivo) é expressão substantiva.
Com o acréscimo da preposição a essa expressão substantiva se transformará em um adjunto adverbial (de modo).Ex:
“Esteja à vontade.”
NOTA: à: contração da preposição a com o artigo a. O primeiro a é a preposição que transformou a expressão substantiva em adverbial. O segundo é o artigo feminino que modifica o substantivo vontade.
IMPORTANTE
É claro que a contração da preposição a com o artigo a só acontece antes de palavras femininas, pois não cabe ao artigo feminino modificar substantivo masculino.
Maria voltou a cavalo. (certo)/
Maria voltou à cavalo. (errado)
NOTA: “À cavalo” é expressão absurda, pois à (com crase) é contração da preposição a com o artigo a, e não se concebe que o substantivo cavalo (masculino) seja modificado por palavra feminina.
Também não se escreve: "Voltou à correr” (com crase), porque não existe verbo modificado pelo artigo a. O certo é “Voltou a correr”, sendo preposição simples o a que precede o verbo.
Exemplos de adjuntos adverbiais iniciados pela preposição “a” combinada com o artigo “a”:
1- Vendemos à vista. (À vista: adj. Adverbial de modo)/
2- Voltamos à tarde. (À tarde; adj. Adverbial de tempo)/
3- Conserve-se à direita. (À direita; adj. Adverbial de lugar)/
4- Às vezes ele se excedia. (Às vezes; adj. Adverbial de tempo)
NOTA 1: O acento indicador de crase é usado nas expressões adverbiais, nas locuções prepositivas e conjuntivas de que participam palavras femininas:
à tarde, à chave, à noite,
à escuta, à direita, à deriva,
às claras, às avessas, às escondidas
às moscas, à toa, à revelia
à beça, à luz, à esquerda
à larga, às vezes, às ordens
às ocultas, às turras,à beira de
à sombra de, à exceção de , à força de
à frente de, à imitação de, à procura de,
à semelhança de, à proporção que, à medida que
NOTA 2: Incluem-se nessas expressões as indicações de horas especificadas: Ex:
à meia-noite, / às duas horas/
à uma hora,/ às três e quarenta
NOTA: Não confunda com as indicações não especificadas:Ex:
Isso acontece a qualquer hora.
Assinar:
Postagens (Atom)
Pesquisar este blog
-
Neste ensaio devo esclarecer que a análise do conto, de Danton Travisan, “Uma vela para Dário”, será feita pelo víeis da psicologia, mas esp...
-
O vestibulando deve compreender que o texto em prosa discursivo dissertativo tem origem do gênero grego-romano Retórico ou Eloquente e seu e...
Translate
CAIXA ECONÔMICA FEDERAL
Livro publicado
Livro infantil.
encontro
Caminhando pensei em minha esposa que mesmo tendo lhe agraciado com tudo do mundo. Ela me responderia: - Tem mais alguma coisa, além disso.
Universidade do Estado do Pará - UEPA
Índia
Raquel Quaresma