sábado, 27 de setembro de 2014
A atividade racional e suas modalidades
A filosofia distingue duas grandes modalidades da atividade racional, realizadas pela razão subjetiva ou pelo sujeito do conhecimento: a intuição (ou razão intuitiva) e o raciocínio (ou razão discursiva).
A atividade racional discursiva passa por etapas sucessivas de aproximação para chegar ao conceito ou à definição do objeto.
A razão intuitiva ou intuição, ao contrário, consiste num único ato do espírito que, de uma só vez, capta por inteiro e completamente o objeto. A intuição é uma visão direta e imediata do objeto do conhecimento, sem necessidade de provas ou demonstrações para saber o que conhece. Palavra derivada do verbo latino intuere, que significa “olhar atentamente, contemplar, ver claramente”.
A intuição
A intuição é uma visão global e completa de uma verdade, de um objeto, de um fato. Nela, de uma só vez, a razão capta todas as relações que constituem a realidade e a verdade da coisa intuída. É um ato intelectual de discernimento e compreensão, como, por exemplo:
Quando um médico, graças ao conjunto de conhecimentos que possui, faz um diagnóstico em que apreende de uma só vez a doença, sua causa e o modo de tratá-la.
Os psicólogos se referem à intuição usando o termo insight, que descrevem como o momento em que temos uma compreensão total, direta e imediata de alguma coisa, ou momento em que percebemos, num só lance, um caminho para a solução de um problema prático, científico, filosófico ou moral. Um exemplo de intuição pode ser encontrado no romance Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.
Riobaldo e Diadorim são dois jagunços ligados pela mais profunda amizade e lealdade, companheiros de lutas e cumpridores de uma vingança de sangue contra os assassinos da família de Diadorim. Riobaldo, porém, sente-se cheio de angústia e atormentado, pois seus sentimentos por Diadorim são confusos, como se entre eles houvesse muito mais do que amizade.
Quando Diadorim é assassinado e o corpo é trazido para ser preparado para o funeral, Riobaldo descobre que Diadorim era mulher. De uma só vez, num só lance, Riobaldo compreende tudo o que havia sentido, todos pos fatos acontecidos entre eles e que lhe pareciam inexplicáveis, toda as conversas que haviam tido, todos os gestos estranhos de Diadorim (como, por exemplo, o de jamais banhar-se nos rios na companhia dos demais jagunços), e compreende, instantaneamente, a verdade: estivera apaixonado por Diadorim.
O exemplo do médico e o de Riobaldo indicam que a intuição pode depender de conhecimentos anteriores e que ela ocorre no momento em que esses conhecimentos são percebidos de uma só vez, numa síntese em que aparecem articulados e organizados num todo (sua forma, seu conteúdo, suas causas, suas propriedades, seus efeitos, suas relações com outros, seu sentido). Isso significa que a intuição pode ser o momento final de um processo de conhecimento.
Justamente por ser o momento de conclusão de um percurso, muitos filósofos consideram também que uma intuição pode ser o ponto inicial de um novo percurso de conhecimento em cujo ponto final haverá uma nova intuição.
A intuição racional pode ser de dois tipos: intuição sensível ou empírica e intuição intelectual.
A intuição sensível ou empírica é o conhecimento que temos a todo momento de nossa vida. Assim, com um só olhar ou num só ato de visão percebemos uma casa, um homem, uma mulher, uma flor, uma mesa. Num só ato, por exemplo:
Capto que isto é uma flor: vejo sua cor e suas pétalas, sinto a maciez de sua textura, aspiro seu perfume, tenho-a por inteiro e de uma só vez diante de mim.
A intuição sensível ou empírica é psicológica, isto é, refere-se aos estados do sujeito do conhecimento como ser corporal e psíquico individual – sensações, lembranças, imagens, sentimentos, desejos e percepções são exclusivamente pessoais, variando de pessoa para pessoa e numa mesma pessoa em decorrência de variações em seu corpo, em sua mente ou nas circunstâncias em que o conhecimento ocorre.
Assim, a marca da intuição empírica é sua singularidade: por um lado, está ligada à singularidade do objeto intuído (ao “isto” oferecido à sensação e à percepção) e, por outro, está ligada à singularidade do objeto que intui (aos meus estados psíquicos não capta o objeto em sua universalidade, a a experiência intuitiva não é transferível para outro objeto. Riobaldo teve uma intuição empírica.
A intuição intelectual difere da sensível justamente por sua universalidade e necessidade. Quando penso: “Uma coisa não pode ser e não ser ao mesmo tempo”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que isto é verdade e que é necessário que seja sempre assim, ou que é impossível que não seja sempre assim. Ou seja, tenho conhecimento intuitivo princípio da contradição. Exemplo:
B1- Quando digo: “O amarelo é diferente do azul”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que há diferenças entre, a cor amarela e a cor azul, mas vejo, na intuição intelectual, a diferença entre cores.
B2- Quando afirmo: O todo é maior do que as partes”, sei, sem necessidade de provas e demonstrações, que isto é verdade porque intuo uma forma necessária de relação entre as coisas.
A intuição intelectual é o conhecimento direto e imediato dos princípios da razão (identidade, contradição, terceiro excluído, razão suficiente), os quais, por serem princípios, não podem ser demonstrados (para demonstrá-los, precisaríamos de outros princípios e para demonstrar estes outros princípios precisaríamos de outros, num processo interminável, que nos impediria de saber com certeza a verdade de um princípio).
Alguns filósofos afirmam também que conhecemos por intuição as ideias simples, isto é, aquelas que não são compostas de outras e não precisam de outras para ser conhecidas. Justamente porque não dependem de outros conhecimentos ou de outras ideias, as ideias simples são apreendidas num ato intuitivo. Por outro lado, como a intuição pode ser o ponto final de um processo de conhecimento, ela é também a apreensão intelectual das relações necessárias entre as ideias e entre os seres, e entre as ideias e as coisas de que são ideias.
Mito da caverna
A história da Filosofia, os dois exemplos mais célebres de intuição intelectual encontram-se em Platão (séculos IV a. C.) e em Descartes (século XVII).
A narrativa do Mito da Caverna, Platão descreve o que se passa com o prisioneiro que vê a luz do Sol e as coisas e o compara ao filósofo que vê a luz do bem e as ideias verdadeiras. O prisioneiro tem uma intuição empírica (tudo o que conhece, conhece por sensação ou por percepção sensorial) e o filósofo tem uma intuição empírica (tudo o que conhece, conhece por sensação ou por percepção sensorial) e o filósofo tem uma intuição intelectual (é seu intelecto ou sua inteligência que conhece as ideias verdadeiras), mas ambos têm um conhecimento intuitivo porque direto, imediato, sem necessidade de demonstrações, argumentos e provas.
terça-feira, 16 de setembro de 2014
SEMIÓTICA DO TEXTO
3.1texto 5 – SEMIÓTICA DO TEXTO
Conceito
A Semiótica do texto é o de compreender a os fundamentos teóricos e analíticos na
produção de um texto.
Conceito de percurso de sentido gerativo o texto verbal e texto não-verbal, no contexto
das práticas sociais em que se desenvolvem.
TÓPICO: Percurso Gerativo de Sentido
Aspectos pertinentes:
· nível fundamental:
· sintaxe narrativa
· semântica narrativa
· sintaxe discursiva
· semântica discursiva
· enunciação
· tematização
· figurativização
· coerência textual
· semi-simbolismo
· discurso
· contexto sócio-histórico
3.1.1- Percurso gerativo de sentido e níveis de análise
Princípio: o texto pode ser qualquer coisa que dê origem a significação.
mais concreto e complexo.
O níveis são:
· nível profundo ou fundamental (simples e abstrato)
· nível narrativo
· nível discursivo (mais concreto e mais complexo)
Fiorin (1997) nos apresenta o seguinte esquema do percurso gerativo de sentido:
mais concreto e complexo.
O níveis são:
· nível profundo ou fundamental (simples e abstrato)
· nível narrativo
· nível discursivo (mais concreto e mais complexo)
Fiorin (1997) nos apresenta o seguinte esquema do percurso gerativo de sentido:
componentes do sentido das palavras, e a interpretação dos enunciados e de outros
símbolos que servem a comunicação humana.
3.2NÍVEL FUNDAMENTAL ou NÍVEL DA ESTRUTURA FUNDAMENTAL
Conceito: o nível fundamental é a primeira etapa do percurso gerativo de sentido e é
onde estão localizadas as categorias semânticas que estão na base de construção do
texto, e onde surge a significação como uma oposição semântica mínima.
3.2NÍVEL NARRATIVO ou das ESTRUTURAS NARRATIVAS.
Conceitos: nível narrativo tem-se a organização da narrativa sob o ponto de vista de um
sujeito que simula uma história, o fazer do homem que opera transformações no mundo,
e caracteriza-se pelo significado que tem um objeto concreto para o sujeito.
3.3NÍVEL DISCURSIVO ou das ESTRUTURAS DISCURSIVAS
Conceito: o discursivo ou das estruturas discursivas, é o mais superficial e mais próximo
da organização textual. Nele, o sujeito da enunciação faz uma série de escolhas de
pessoas, figuras, espaço e tempo e dá concretude a narrativa, transformando-a em
discurso, criando uma ilusão de verdade, de realidade.
segunda-feira, 1 de setembro de 2014
Racconti di Natale; Jean Paul Sartre
Siccome oggi è Natale, avete il diritto di esigere che vi si mostri il presepe. Eccolo. Ecco la Vergine ed ecco Giuseppe ed ecco il bambino Gesù. L’artista ha messo tutto il suo amore in questo disegno ma voi lo troverete forse un po’ naif.
Guardate, i personaggi hanno ornamenti belli, ma sono rigidi: si direbbero delle marionette. Non erano certamente così. Se foste come me, che ho gli occhi chiusi. Ma ascoltate: non avete che da chiudere gli occhi per sentirmi e vi dirò come li vedo dentro di me. La Vergine è pallida e guarda il bambino. Ciò che bisognerebbe dipingere sul suo viso è uno stupore ansioso che non è apparso che una volta su un viso umano. Poiché il Cristo è il suo bambino, la carne della sua carne, e il frutto del suo ventre. L’ha portato nove mesi e gli darà il seno: e il suo latte diventerà il sangue di Dio.
E in certi momenti, la tentazione è così forte che dimentica che è Dio.
Lo stringe tra le sue braccia e dice: piccolo mio!
Ma in altri momenti, rimane interdetta e pensa: Dio è là e si sente presa da un orrore religioso per questo Dio muto, per questo bambino terrificante. Poiché tutte le madri sono così attratte a momenti davanti a questo frammento ribelle della loro carne che è il loro bambino e si sentono in esilio davanti a questa nuova vita che è stata fatta con la loro vita e che popolano di pensieri estranei. Ma nessun bambino è stato più crudelmente e più rapidamente strappato a sua madre poiché egli è Dio ed è oltre tutto ciò che lei può immaginare.
Ed è una dura prova per una madre aver vergogna di sé e della sua condizione umana davanti a suo figlio. Ma penso che ci sono anche altri momenti, rapidi e difficili, in cui sente nello stesso tempo che il Cristo è suo figlio, il suo piccolo, e che è Dio. Lo guarda e pensa:
“Questo Dio è mio figlio. Questa carne divina è la mia carne. E’ fatta di me, ha i miei occhi e questa forma della sua bocca è la forma della mia. Mi rassomiglia. E’ Dio e mi assomiglia. E nessuna donna ha avuto dalla sorte il suo Dio per lei sola. Un Dio piccolo che si può prendere nelle braccia e coprire di baci, un Dio caldo che sorride e respira, un Dio che si può toccare e che vive”.
Ed è in quei momenti che dipingerei Maria, se fossi pittore, e cercherei di rendere l’espressione di tenera audacia e di timidezza con cui protende il dito per toccare la dolce piccola pelle di questo bambino-Dio di cui sente sulle ginocchia il peso tiepido e che le sorride.
Questo è tutto su Gesù e sulla Vergine Maria.
E Giuseppe?
Giuseppe, non lo dipingerei. Non mostrerei che un’ombra in fondo al pagliaio e due occhi brillanti. Poiché non so cosa dire di Giuseppe e Giuseppe non sa che dire di se stesso. Adora ed è felice di adorare e si sente un po’ in esilio. Credo che soffra senza confessarselo. Soffre perché vede quanto la donna che ama assomigli a Dio, quanto già sia vicino a Dio. Poiché Dio è scoppiato come una bomba nell’intimità di questa famiglia. Giuseppe e Maria sono separati per sempre da questo incendio di luce.
E tutta la vita di Giuseppe, immagino, sarà per imparare ad accettare.
Miei buoni signori, questa è la Sacra Famiglia.
Ora apprenderemo la storia di Bariona poiché sapete che vuole strangolare quel bambino. Corre, si affretta ed eccolo arrivato. Ma prima di farvelo vedere, ecco una piccola canzone di Natale
terça-feira, 22 de julho de 2014
Nova divisão da Gramática Brasileira
A gramática da língua portuguesa é dividida em FONÉTICA , MORFOLOGIA, SINTAXE, MORFOSINTAXE E SEMÂNTICA
A fonética é o estudo do som da língua.
Sílaba tônica
O estudo morfológico é o estudo das letras e das classes de palavras.
Principais classes de palavras: Substantivo e Verbo
A sintaxe e o estudo da frase e oração de formato simples.
Termos essenciais: Sujeito e Predicado
A morfossintaxe é o estudo do período e sua formação complexa.
Período simples (constituído de uma frase) e Período composto (constituído de uma oração)
A semântica é o estudo do sentido das palavras.
quinta-feira, 29 de maio de 2014
O BURACO
Pocha não me contenho em dizer
que apreenderam meu carro semanas atrás
Então fui lá retira-lo
achei que era só mete a mão no buraco e tirá
mas pensem que não encontrei nada
enviei a mão cada vez mais
já tinha entrado o braço e nada de encontrar
contyinuei enfiando a mão e o braço e o tronco
as pernas
quando me deparei estava num posso sem fundo
o misero buraquinho tinha me dragado
Então compreendi que o buraco é mais embaixo
ativi-me choroso
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Notícia Gramática pós-contemporânea: faça parte ...
Ao Linguista compete a tarefa de formular explicações sobre o mecanismo subjacente à linguagem. Tal tarefa, em última instância, consiste da formulação da gramática de uma determinada língua. Entendemos que uma gramática deve explicitar os princípios e as características da língua analisada. Tal proposta deve explicar todos os enunciados que podem ocorrer em uma determinada Língua e também exclui todos os enunciados que não sejam atestados. O termo gramática é tradicionalmente utilizado em referência às gramáticas prescritivas ou normativas.
Temos também a gramática descritiva que tem por objetivo descrever as observações linguísticas atestadas entre os falantes de uma determinada Língua. Sem prescrever normas ou definir padrões em termos de julgamento de correto ou incorreto, busca-se documentar uma Língua tal como ela se manifesta no momento.
Outra gramática que devemos destacar é a gerativa ou gramática-transformacional que contribui para a mudança de foco teórico e metodológico da Linguística do século XX. Tal proposta teórica assume que a Linguística interessa o estudo da competência. Assim sendo o uso que o falante faz de sua Língua e denominado desempenho que relaciona-se ao que Saussure denominou fala. Portanto, a grande diferença teórica entre língua – competência e fala – desempenho pauta-se no argumento de Chomsky de que o conhecimento Linguístico do falante transcende qualquer corpus. Então Chomsky argumenta que a Linguística pode contribuir para a compreensão da natureza da organização da mente humana.
Diante disso propomo-nos o estudo da Linguística para a construção de uma gramática pós-contemporânea, pois entendamos que a gramática contemporânea, a exemplo de José de Nicolas, satisfez o anseio da geração do século passado. Devemos todo o respeito e admiração a esses intelectuais que com brilhantismo desenvolveram seus estudos.
Todavia a pós-contemporaneidade chegada com a popularização midiática nos faz lançarmos ao estudo e a formulação de uma gramática que atenda aos interesses da nova geração, século XXI, que vive em intensa velocidade de comunicação.
SAIBA MAIS: GIEL- Grupo Independente de Estudos Linguísticos
Ao Linguista compete a tarefa de formular explicações sobre o mecanismo subjacente à linguagem. Tal tarefa, em última instância, consiste da formulação da gramática de uma determinada língua. Entendemos que uma gramática deve explicitar os princípios e as características da língua analisada. Tal proposta deve explicar todos os enunciados que podem ocorrer em uma determinada Língua e também exclui todos os enunciados que não sejam atestados. O termo gramática é tradicionalmente utilizado em referência às gramáticas prescritivas ou normativas.
Temos também a gramática descritiva que tem por objetivo descrever as observações linguísticas atestadas entre os falantes de uma determinada Língua. Sem prescrever normas ou definir padrões em termos de julgamento de correto ou incorreto, busca-se documentar uma Língua tal como ela se manifesta no momento.
Outra gramática que devemos destacar é a gerativa ou gramática-transformacional que contribui para a mudança de foco teórico e metodológico da Linguística do século XX. Tal proposta teórica assume que a Linguística interessa o estudo da competência. Assim sendo o uso que o falante faz de sua Língua e denominado desempenho que relaciona-se ao que Saussure denominou fala. Portanto, a grande diferença teórica entre língua – competência e fala – desempenho pauta-se no argumento de Chomsky de que o conhecimento Linguístico do falante transcende qualquer corpus. Então Chomsky argumenta que a Linguística pode contribuir para a compreensão da natureza da organização da mente humana.
Diante disso propomo-nos o estudo da Linguística para a construção de uma gramática pós-contemporânea, pois entendamos que a gramática contemporânea, a exemplo de José de Nicolas, satisfez o anseio da geração do século passado. Devemos todo o respeito e admiração a esses intelectuais que com brilhantismo desenvolveram seus estudos.
Todavia a pós-contemporaneidade chegada com a popularização midiática nos faz lançarmos ao estudo e a formulação de uma gramática que atenda aos interesses da nova geração, século XXI, que vive em intensa velocidade de comunicação.
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sexta-feira, 18 de abril de 2014
SERVIÇO: INTERNET GRATÍS
O Brasil possui o melhor sistema de internet gratís do Mundo, pois basta ter um telefone que a conexão é possivel seja lá onde for. No entanto, para que seja possível faz se necessário à intalação do discador IG que pode ser obtido gratuitamente através do Baixaki
ou por cd de instalação. É possível sim. Veja com:
http://www.baixaki.com.br/download/discador-ig.htm
A conexão pelo discador iG é feita por ligação local na grande maioria das cidades brasileiras (veja números de telefone do iG) o que permite aos usuários navegarem na internet discada com pouco custo nos horários de tarifação reduzida.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
FICHAMENTO: KOCK, Ingedore Villaça. Lingüística Aplicada ao Português: Sintaxe, ed. Cortez, 11 edição, 2002
1 ORGANIZAÇÃO E CONSTRUÇÃO DA FRASE
Conceito: costuma-se entender por frase a expressão verbal de um pensamento, ou seja, todo enunciado suficiente por si mesmo para estabelecer comunicação. Por meio dela, podem-se espressar juízo, descrever ações, estados ou denômenos, transmitir apelos ou ordens, exteriorizar emoções.
Toda frase consiste em uma organização, uma combinação de elementos lingüísticos agrupados segundo certos princípios, que a caracterizam como uma estrutura.
Aos diversos “modos de dizer” é que se denomina tipos de frases (T). Assim sendo, a primeira regra de constituição de toda e qualquer frase de uma língua é:
F = T + P
F = frase
T = tipo de frases
P = proporção ou oração
Todas as línguas podem ser descritas a partir de um conjunto de fórmulas semelhantes – denominadas de regras de reescritura, de estrutura frasal ou de base – cuja função consiste em indicar a estrutura subjacente, elementar e abstrata dos elementos que compõem a proposição, especificando e formalizando as relações de dominância e de precedência existentes entre esses elementos.
1.2 Princípios de Organização da Estrutura Frasal
Determinação dos elementos do português:
Classes
Possibilidades combinatórias
MÉTODO
Verificar a possibilidade de decomposição da proposição em unidades menores e de detectar a equivalência entre essas unidades.
PROCEDIMENTO
Procedimento da comutação.
Tarefas:
a) Segmentação – determinar os subconjuntos em que pode ser decomposta a proposição;
b) Substituição – verificar quais desses subconjuntos exercem a mesma função
EXEMPLO:
1. Pedro está diante da vitrine de uma joalheria.
2. A polícia deteve vários suspeitos do furto.
3. A criancinha doente adormeceu.
4. Meu filho sonha ansiosamente com a noite de Natal.
5. Você levará a encomenda.
Pedro
está diante da vitrine de uma joalheiria.
deteve vários suspeitos do furto
adormeceu.
sonha ansiosamente com o dia de Natal.
levará a encomenda
Pedro
O policial está diante da vitrine de uma joalheoiria.
A criancinha
Meu filho
Você
Em cada subconjunto há elementos equivalentes, visto que, ao se fazer a permuta, a integridade da oração se mantêm. Cada um destes elementos constitui uma unidade sintático-semântica: o sintagma.
domingo, 9 de março de 2014
Grande Sertão: Veredas - Guimarães Rosa
Grande Sertão :Veredas - travessia que Riobaldo, narrador-personagem, faz em
suas memórias a fim de narrar suas vivências a um "senhor" durante três dias.
Travessia que Guimarães Rosa faz através do caráter insólito e ambíguo do homem,
tornando uma experiência individual (Riobaldo ) em caráter universal - "o sertão é o
mundo".
A primeira parte do romance (até aproximadamente à página 80), Riobaldo faz
um relato "caótico" e desconexo de vários fatos (aparentemente sem relações entre si
), sempre expondo suas inquietações filosóficas (reflexões sobre a vida, a origem de
tudo, Deus, Diabo, ...) -Eu queria decifrar as coisas que são importantes. E estou
contando não é uma vida de sertanejo, seja se fôr jagunço, mas a matéria vertente.
"O discurso ambivalente de Riobaldo (...) se abre a partir de uma necessidade,
verbalizada de maneira interrogativa". No entanto, há uma grande dificuldade em
narrar e organizar seus pensamentos : Contar é muito dificultoso. Não pelos anos que
se já passaram. Mas pela astúcia que tem certas coisas passadas - de fazer balancê,
de se remexerem dos lugares. É o compadre Quelemém de Góis que lhe socorre em
suas dúvidas, mas não de forma satisfatória, daí a sua necessidade de narrar.
A partir da página 80, Riobaldo começa a organizar suas memórias. Fala da mãe
Brigi, que o obrigava à esmolação para a paga de uma promessa. É nessa ocasião, à
beira do "Velho Chico", que Riobaldo se encontra pela primeira vez com o garoto
Reinaldo, fazendo juntos uma travessia pelo rio São Francisco. Riobaldo fica fascinado
com a coragem de Reinaldo, pois como este afirma : "sou diferente (...) meu pai disse
que eu careço de ser diferente (...).
A mãe de Riobaldo vem a falecer, sendo ele levado à fazenda São Gregório, de
seu padrinho Selorico Mendes. É lá que Riobaldo toma contato com o grande chefe
Joca Ramiro, juntamente com os chefes Hermógenes e Ricardão. Selorico Mendes
envia o seu afilhado ao Curralinho, a fim de que tivesse contato com os estudos.
Posteriormente, assume a função de professor de Zé Bebelo (fazendeiro residente no
Palhão com pretensões políticas. Zé Bebelo, querendo pôr fim aos jagunços que
atuavam no sertão mineiro, convida Riobaldo a participar de seu bando. Riobaldo troca
as letras pelas armas. É desse ponto que começa suas aventuras pelo norte de Minas,
sul da Bahia e Goiás como jagunço e depois como chefe.
O bando de Zé Bebelo faz combate com Hermógenes e seus jagunços, onde este
acaba por fugir. Riobaldo deserta do bando de Zé Bebelo e acaba por encontrar
Reinaldo ( jagunço do bando de Joca Ramiro), ingressando no bando do "grande
chefe". A amizade entre Riobaldo e Reinaldo acaba por se tornar sólida , onde Reinaldo
revela o seu nome - Diadorim - pedindo-lhe segredo. Juntamente com Hermógenes ,
Ricardão e outros jagunços , combate contra as tropas do governo e de Zé Bebelo .
Depois de um conflito com o bando de Zé Bebelo, o bando liderado por
Hermógenes fica acuado, acabando-se por se separar , reunindo-se posteriormente . O
chefe Só Candelário acaba por integrar-se ao bando de Hermógenes , tornando-se líder
do bando até o encontro com Joca Ramiro . Nessa ocasião , Joca Ramiro presenteia
Riobaldo com um rifle , em reconhecimento à sua boa pontaria (a qual lhe faz valer
apelidos como "Tatarana" e "Cerzidor") . O grupo de Joca Ramiro acaba por se dividir
para enfrentar Zé Bebelo , conseguindo capturá-lo . Zé Bebelo é submetido a
julgamento por Joca Ramiro e seus chefes - Hermógenes , Ricardão, Só Candeário
, Titão Passos e João Goanhá - acabando a ser condenado ao exílio em Goiás .
Depois do julgamento, o bando do grande chefe se dispersa, Riobaldo e
Diadorim acabam por seguir o chefe Titão Passos. Posteriormente, o jagunço Gavião-
Cujo vai ao encontro do grupo de Titão Passos para informar a morte de Joca Ramiro,
que foi assassinado à traição por Hermógenes e Ricardão ("os judas"). Riobaldo fica
impressionado com a reação de Diadorim diante da notícia. Os jagunços se reúnem
para combaterem os judas .
Por essa época , Riobaldo tem um caso com Nhorinhá (prostitutriz), filha de
Ana Danúzia. Conhece Otacília na fazenda Santa Catarina, onde tem intenções
verdadeiras de amor. Diadorim, em determinada ocasião, por ter raiva de Otacília,
chega a ameaçar Riobaldo com um punhal.
Medeiro Vaz junta-se ao bando para a vingança, assumindo a chefia. Inicia-se a
travessia do Liso do Sussuarão. O bando não agüenta a travessia e acaba por retornar.
Medeiro Vaz morre. Zé Bebelo retorna do exílio para ajudar na vingança contra os
judas, tomando a chefia do bando.
Por suas andanças, o bando de Zé Bebelo chega à fazenda dos Tucanos, onde
são encurralados por Hermógenes. Momentos de grande tensão. Zé Bebelo envia dois
homens para informarem a presença de jagunços naquele local. Riobaldo desconfia de
uma possível traição com esse ato. O bando de Hermógenes fica acuado pelas tropas
do governo e os dois lados se unem provisoriamente para escaparem dos soldados . Zé
Bebelo e seus homens fogem à surdina da fazenda, deixando os hermógenes travando
combate com os soldados. Riobaldo oferece a pedra de topázio a Diadorim, mas este
recusa, até que a vingança tenha sido consumada .
Os bebelos chegam às Veredas-Mortas. É um dos pontos altos do romance, onde
Riobaldo faz o pacto com o Diabo para vencerem os judas. Riobaldo acaba assumindo
a chefia do bando com o nome de "Urutu-Branco"; Zé Bebelo sai do bando. Riobaldo
dá a incumbência a "seô Habão" para entregar a pedra de topázio a Otacília, firmando
o compromisso de casamento. O chefe Urutu-Branco acaba por reunir mais homens (
inclusive o cego Borromeu e o menino pretinho Gurigó).
À procura dos hermógenes, fazem a penosa travessia do Liso do Sussuarão,
onde Riobaldo sofre atentado por Treciano, que é morto pelo próprio chefe.
Atravessado o Liso, Riobaldo chega em terras baianas, atacando a fazenda de
Hermógenes e aprisionando sua mulher . Retornam aos sertões de Minas, à procura
dos judas. Encurralam o bando de Ricardão nos Campos do Tamanduá-tão, onde o
Urutu-Branco mata o traidor. Encontro dos hermógenes no Paredão. Luta sangrenta.
Diadorim enfrenta diretamente Hermógenes, ocasionando a morte de ambos. Riobaldo
descobre então que Diadorim se chama Maria Deodorina da Fé Bittancourt Marins,
filha de Joca Ramiro.
Riobaldo acaba por adoecer (febre-tifo). Depois de se restabelecer, fica sabendo
da morte de seu padrinho e herda duas fazendas suas. Vai ao encontro de Zé Bebelo,
o qual o envia com um bilhete de apresentação a Quelemém de Góis : Compadre meu
Quelemém me hospedou , deixou meu contar minha história inteira. Como vi que ele
me olhava com aquela enorme paciência - calma de que minha dor passasse; e que
podia esperar muito longo tempo. O que vendo, tive vergonha, assaz .
Mas , por fim , eu tomei coragem , e tudo perguntei:
-"O senhor acha que a minha alma eu vendi , pactário?! "
Então ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu :
-"Tem cisma não. Pensa para diante. Comprar ou vender, às vezes, são as ações que
são as quase iguais ..."
(...)
Cerro. O senhor vê. Contei tudo. Agora estou aqui, quase barranqueiro. (...) Amável
senhor me ouviu, minha idéia confirmou: que o Diabo não existe. Pois não? O senhor é
um homem soberano , circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo não há! É o que
eu digo, se fôr ... Existe é homem humano. Travessia.
cOMPRE O LIVRO: CLIQUE AQUI.
4 - Linguagem
Em Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa faz uma recriação da linguagem ,
"recondicionando-a inventivamente, saindo do lugar-comum a fim de dar maior
grandeza ao discurso. Nu da cintura para os queixos (ao invés de nu da cintura para
cima) e ainda Não sabiam de nada coisíssima (no lugar de não sabiam de coisa
nenhuma) constituem exemplos do apuramento da linguagem roseana.
Toda a narrativa é marcada pela oralidade (Riobaldo conta seus casos a um
interlocutor), portanto, sem possibilidades de ser reformulado, já que é emitido
instantaneamente. Ainda tem-se as dúvidas do narrador e suas divagações, onde é
percebido a intenção de Riobaldo em reafirmar o que diz utilizando a própria
linguagem .
O falar mineiro associado a arcaísmos, brasileirismos e neologismos faz com que
o autor de Sagarana extrapole os limites geográficos de Minas. A linguagem ultrapassa
os limites "prosaicos" para ganhar dimensão poético-filosófica (principalmente ao
relatar os sentimentos para com Diadorim ou a tirar conclusões sobre o ocorrido
através de seus aforismos).
4.1 - Aforismos
1. Viver é muito perigoso
2. Deus é paciência
3. Sertão. O senhor sabe : sertão 'onde manda quem é forte , com as astúcias .
4. ...sertão é onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do
lugar .
5. ...toda saudade é uma espécie de velhice
6. Jagunço é isso . Jagunço não se escabreia com perda nem derrota - quase tudo para
ele é o igual.
7. Deus existe mesmo quando não há . Mas o demônio não precisa de existir para
haver .
8. Viver é um descuido prosseguido .
9. sertão é do tamanho do mundo
10. Vingar , digo ao senhor : é lamber , frio , o que o outro cozinhou quente demais .
11. Quem desconfia , fica sábio .
12. Sertão é o sozinho .
13. Sertão : é dentro da gente .
14. ...sertão é sem lugar .
15. Para as coisas que há de pior , a gente não alcança fechar as portas .
16. Vivendo , se aprende ; mas o que se aprende , mais , é só a fazer outras maiores
perguntas .
17. ...amor só mente para dizer maior verdade .
18. Paciência de velho tem muito valor .
19. Sossego traz desejos .
20. ... quem ama é sempre muito escravo , mas não obedece nunca de verdade .
5 - Estrutura de Narrativa
I - TEMPO
Psicológico . A narrativa é irregular ( enredo não linear), sendo acrescidos vários
casos pequenos.
II - FOCO NARRATIVO
Primeira pessoa - narrador-personagem - utilizando-se do discurso direto e
indireto livre.
III - ESPAÇO
A trama ocorre no sertão mineiro (norte) , sul da Bahia e Goiás . No entanto ,
por se tratar de uma narrativa densa , repleta de reflexões e divagações , ganha um
caráter universal - "o sertão é o mundo".
IV PERSONAGENS
· PRINCIPAL:
Riobaldo : personagem-narrador que conta sua estória a um doutor que nunca
aparece. Riobaldo sente dificuldades em narrar, seja por sua precariedade em
organizar os fatos , seja por sua dificuldade em entendê-los. Relata sua infância, a
breve carreira de professor (de Zé Bebelo ), até sua entrada no cangaço (de jagunço
Tatarana a chefe Urutu-Branco), estabelecendo-se às margens do São Francisco
como um pacato fazendeiro.
· SECUNDÁRIOS:
Diadorim: é o jagunço Reinaldo, integrante do bando de Joca Ramiro. Esconde
sua identidade real (Maria Deodorina) travestindo-se de homem. Sua identidade é
descoberta ao final do romance, com sua morte.
Zé Bebelo: personalidade com anseios políticos que acaba por formar bando de
jagunços para combater Joca Ramiro. sai perdedor, sendo exilado para Goiás e acaba
por retornar com a morte do grande chefe para vingar o seu assassinato.
Joca Ramiro: é o maior chefe dos jagunços, mostrando um senso de justiça e
ponderação no julgamento de Zé Bebelo, sendo bastante admirado .
Medeiro Vaz : chefe de jagunços que se une aos homens de Joca Ramiro para
combater contra Hermógenes e Ricardão por conta da morte do grande chefe .
Hermógenes e Ricardão: são os traidores, sendo chamados de "judas", que
acabam por matar Joca Ramiro. Muitos jagunços acreditavam que Hermógenes havia
feito o pacto com o Diabo .
Só Candelário: outro chefe que ajuda na vingança. Possuía grande temor de
contrair lepra.
Quelemém de Góis: compadre e confidente de Riobaldo, que o ajuda em suas
dúvidas e inquietações sobre o Homem e o mundo.
· AS TRÊS FACES AMOROSSAS DE RIOBALDO:
Nhorinhá : prostituta, representa o amor físico. O seu caráter profano e sensual
atrai Riobaldo, mas somente no aspecto carnal.
Otacília: contrária a Nhorinhá , Riobaldo destina a ela o seu amor verdadeiro
(sentimental). É constantemente evocada pelo narrador quando este se encontrava
desolado e saudoso durante sua vida de jagunço. Recebe a pedra de topázio de "seô
Habão", simbolizando o noivado.
Diadorim : representa o amor impossível, proibido. Ao mesmo tempo em que
se mostra bastante sensível com uma bela paisagem, é capaz de matar a sangue frio.
É ela que causa grande conflito em Riobaldo, sendo objeto de desejo e repulsa (por
conta de sua pseudo identidade).
6- BIBLIOGRAFIA
ROSA , João Guimarães. Grande Sertão: Veredas. Rio de Janeiro,
Nova Fronteira , 1986 .
BOSI , Alfredo. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo,
Cultrix , 1988.
CASTRO, Nei Leandro de. Universo e Vocabulário do Grande Sertão,
20 ed. , Rio de Janeiro, Achiamé, 1982 .
Jorge Alberto
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