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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O Encantado

Numa cidade localizada na região Norte do Brasil existe como conta os habitantes do lugar uma aparição que vagueia nas noites pelas ruas. Poucos foram às pessoas que a viram, a contar três, Seu Antônio pescador, Dona Braga beata e a jovem Jessika estudante. E comum, nessa cidade, o encontro no final da tarde na mercearia de Seu Freitas, onde se escuta de tudo um pouco. Lá o pesquisador do IFNOPAP coletou a narrativa desses três habitantes. O primeiro, Seu Antonio, viu a aparição quando voltava da pescaria. Ele diz não lembrar de muita coisa do acontecido, pois desmaiou logo que sentiu o cheiro da fumaça mal cheirosa que a “coisa”, como chama, soltava e que cobria seu rosto. O pesquisador logo supôs ser a “Matita”. Todavia a segunda, Dona Braga, lembra do sorriso do “mostro” que era tão lindo e contagiante, que a fez rir durante dias, ocorrendo de o padre ter de exorcizar Dona Braga, para que, ela pudesse parar de rir. Conta não ter visto a fumaça que Seu Antonio havia visto que quase lhe pões cego, mas sim na escuridão avistou e ouviu aquele belíssimo sorriso. Isso confundiu o pesquisador que supunha ser a “Matita” a aparição, mas com sua experiência de catalogação de três mil contos populares da região amazônica nunca havia lido essa manifestação, fato novo para seu registro. A terceira pessoa quase morre afogada, a jovem Jessika, andava a noite de sua casa para a casa de sua avó, levava uns bijus que sua tia havia preparado, quando viu um homem de costas, vestia-se todo de branco e tinha o chapéu branco. O homem caminhava tranqüilo e elegante em direção ao rio. A jovem curiosa foi atraída por seus passos até a beira do rio. Conta que nesse momento o viu entrar vagarosamente no rio, depois só lembra de acordar no hospital. Contam os habitantes que o jovem pescador Marcos havia salvo a jovem da morte, depois de brigar com a criatura embaixo do rio tirando-a dos braços da aparição. Agora, o pesquisador encontrava-se confuso não sabia se tratava de uma mesma aparição ou de várias, porque a semelhança com a narrativa do “boto” era evidente. Achou o pesquisador de conferir o fato. Colocou-se no mesmo lugar que as três vitimas haviam estados. Depois de três noites sem nada presenciar, no dia dois de novembro, sentiu o cheiro de uma fumaça mal cheirosa, pensou era a pista que procurava. Seguindo o cheiro logo viu a fumaça e ouviu o sorriso. Pensou “meu deus” é a aparição. Apertou o passo é viu o senhor de branco, quando gritou: Ei, aguarde!, Fala minha língua? Quem és tu? Seguiram perguntas uma atrás da outra como, no entanto não obteve nem uma resposta. Resolveu correr antes que a aparição desaparecesse no fundo do rio. Foi quando num repente a figura estava soltando fumaça e sorrindo na sua frente. Na manhã seguinte, foi o primeiro a chegar na mercearia de Seu Freitas, passou a manhã e a tarde bebendo cachaça e alucinando sobre o ocorrido na noite anterior, tentava lembrar-se do que havia acontecido, logo depois, que a criatura apareceu na sua frente sorrindo. Quando no final da tarde, quando muitos habitantes encontravam-se ao seu redor ouviu a mesma palavra que o fez desmaiar na noite e que o fez gritar:- “ENCANTADO”, assustados os habitantes correram para suas casas, enquanto o pesquisador não parava de gritar. Depois de alguns minutos já sem voes percebeu que estava só. Seguiu para a capital Belém, no primeiro ônibus, pela manhã, na chegada foi direto para a Universidade Federal do Pará, onde fica o IFNOPAP, e lá encontrou o maior intelectual no assunto o doutor João de Jesus Paes Loureiro, que logo depois de ouvir sua estória respondeu tratar-se o “encantado” de um ser mitológico que mora no fundo das águas do rio e que submerge de seu fundo”.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Divulgação de trabalho: FERDINAND DE SAUSSURE E ÉMILE BENVENISTE: QUESTÕES REFERENTES À LÍNGUA, À FALA E À CRIAÇÃO LINGUÍSTICA

O Instituto de Língua Viva tem o enorme prazer de divulgar o trabalho da Doutora Karine Rios de Oliveira - Estudos Linguísticos – UFU e do Doutor Thiago André Rodrigues Leite
Doutorado em Estudos Linguísticos – UFU, que dissertam sobre a Línguistica numa interfase entre Saussure e o atual Beveniste. Divulgamos o resulmo do trabalho disponivel na internet na integra. Clique aqui para lê na integra o trabalho.

Resumo
Objetivamos, por meio deste artigo, abordar alguns aspectos referentes à língua (langue) e à fala (parole) sob as perspectivas de Ferdinand de Saussure e de Émile Benveniste, ressaltando o pressuposto saussuriano de que só há fala porque há língua, e esta precisa daquela para se estabelecer socialmente. Ademais, pretendemos aqui discutir o fato de que, num ato de fala, conforme possibilidades previstas pela língua, pode haver deslocamentos que se configuram como criação linguística, no sentido de apontarem para uma nova forma ou um novo significado a um signo linguístico já existente.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Racconti di Natale

Siccome oggi è Natale, avete il diritto di esigere che vi si mostri il presepe. Eccolo. Ecco la Vergine ed ecco Giuseppe ed ecco il bambino Gesù. L’artista ha messo tutto il suo amore in questo disegno ma voi lo troverete forse un po’ naif.

Guardate, i personaggi hanno ornamenti belli, ma sono rigidi: si direbbero delle marionette. Non erano certamente così. Se foste come me, che ho gli occhi chiusi. Ma ascoltate: non avete che da chiudere gli occhi per sentirmi e vi dirò come li vedo dentro di me. La Vergine è pallida e guarda il bambino. Ciò che bisognerebbe dipingere sul suo viso è uno stupore ansioso che non è apparso che una volta su un viso umano. Poiché il Cristo è il suo bambino, la carne della sua carne, e il frutto del suo ventre. L’ha portato nove mesi e gli darà il seno: e il suo latte diventerà il sangue di Dio.

E in certi momenti, la tentazione è così forte che dimentica che è Dio.
Lo stringe tra le sue braccia e dice: piccolo mio!

Ma in altri momenti, rimane interdetta e pensa: Dio è là e si sente presa da un orrore religioso per questo Dio muto, per questo bambino terrificante. Poiché tutte le madri sono così attratte a momenti davanti a questo frammento ribelle della loro carne che è il loro bambino e si sentono in esilio davanti a questa nuova vita che è stata fatta con la loro vita e che popolano di pensieri estranei. Ma nessun bambino è stato più crudelmente e più rapidamente strappato a sua madre poiché egli è Dio ed è oltre tutto ciò che lei può immaginare.

Ed è una dura prova per una madre aver vergogna di sé e della sua condizione umana davanti a suo figlio. Ma penso che ci sono anche altri momenti, rapidi e difficili, in cui sente nello stesso tempo che il Cristo è suo figlio, il suo piccolo, e che è Dio. Lo guarda e pensa:

“Questo Dio è mio figlio. Questa carne divina è la mia carne. E’ fatta di me, ha i miei occhi e questa forma della sua bocca è la forma della mia. Mi rassomiglia. E’ Dio e mi assomiglia. E nessuna donna ha avuto dalla sorte il suo Dio per lei sola. Un Dio piccolo che si può prendere nelle braccia e coprire di baci, un Dio caldo che sorride e respira, un Dio che si può toccare e che vive”.

Ed è in quei momenti che dipingerei Maria, se fossi pittore, e cercherei di rendere l’espressione di tenera audacia e di timidezza con cui protende il dito per toccare la dolce piccola pelle di questo bambino-Dio di cui sente sulle ginocchia il peso tiepido e che le sorride.

Questo è tutto su Gesù e sulla Vergine Maria.

E Giuseppe?

Giuseppe, non lo dipingerei. Non mostrerei che un’ombra in fondo al pagliaio e due occhi brillanti. Poiché non so cosa dire di Giuseppe e Giuseppe non sa che dire di se stesso. Adora ed è felice di adorare e si sente un po’ in esilio. Credo che soffra senza confessarselo. Soffre perché vede quanto la donna che ama assomigli a Dio, quanto già sia vicino a Dio. Poiché Dio è scoppiato come una bomba nell’intimità di questa famiglia. Giuseppe e Maria sono separati per sempre da questo incendio di luce.

E tutta la vita di Giuseppe, immagino, sarà per imparare ad accettare.

Miei buoni signori, questa è la Sacra Famiglia.

Ora apprenderemo la storia di Bariona poiché sapete che vuole strangolare quel bambino. Corre, si affretta ed eccolo arrivato. Ma prima di farvelo vedere, ecco una piccola canzone di Natale.


Di Jean Paul Sartre

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

CAIPORA

Certo dia, estava numa comunidade a margem da estrada, em Santarém, Norte do Brasil, no coração da Região Amazônica, localizava-se no alto da Serra, onde tinha uma árvore, na foz do rio Curuá-una, muito especial que dava um fruto de bastante vigor energético o guaraná. Nesse dia, lia um dos mil contos das mil e uma noite. Quando na terna chegada do anoitecer dei-me de sobre salto ao ouvir um assovio vindo da mata. Era um assubiu constante pensei ser o pia da onça ou algo parecido, subiu-me um calafrio, fiquei ouvindo o assubiu que me lembrou da Matita-pereira. Seria ela que estava a me encontrar. Logo depois de alguns minutos desse som caiu uma nevoa e o frio me ateve. Que assombramento tive, o som do assobio não cessou apenas se distancio. Meu deus disse a mim mesmo é ela que veio me atormentar, conseguirei vencer esse medo e encontrar essa temível aparição.

No outro dia, dei a consultar os informantes que aqui já havia feito amizade. Contei para uma jovem menina de nome Jessika que fiquei com medo naquela noite, pois acreditava ter ouvido a onça piar no meio da mata. Ela me perguntou porque achava ser a onça, disse-lhe que ouvi um sumido endurecedor na noite, então ela me disse se tratar do Caipora, uma entidade mística da floresta, logo lhe perguntei se alguém já o tinha visto, Jessika me respondeu que não todos aqui respeitam a mata e preferem nem imaginar como é ele.

- O Caipora quem seria o Caipora, meu Deus o Caipora, falava com meus botões.

Assim, fui para a cidade conversando com um rapaz na orla da cidade coloquei-lhe o caso de ter ouvido uma onça piar, mas que depois vim a saber se tratar do Caipora. E indaguei se sabia algo sobre o dito Caipora se era do bem ou do mal. Ele me respondeu apenas que tinha ouvido falar e disseram-lhe ser um índio velho. Interessante, seria esse Caipora a representação do Tamá-Tajá e a Matita a Tucuji que viveram um amor em vida tão sublime que não há metáfora para comparar e nem antítese para se opor.

Quando voutei para a comunidade. Dei-me a reflexão dos fatos é talvez tivesse que entrar na mata, me “abicorá” dentro dela para encontrar esse entidade mística da Floreta Amazônica. Para isso, preferi não ir só, convidei um senhor antigo caçador que vivia na taberna da esquina, chamavam-o de pé-inchado, o que queria dizer que era um pião-cachaceiro, não era um cabloco da região era um imigrante que veio em busca de viver tranquilo na Floretsa Amazônica, e veio criança para cá trazido por seus pais, quando da abertura da Transamazônica.

No dia seguinte, adentramos na mata e começamos a entrar, adentrar, entrar, quando chegou o anoitecer, acampamos próximo a um igarapé de águas imensamente geladas e dava para ouvir no fundo de suas águas o som da cobra grande, o que me fazia ficar poucos minutos dentro d’água barenta, limpida e escura. Dormimos bem a noite. Na manhã continuamos a adentrar na mata fechada. Seu pé inchado contou-me quando conseguiu caçar seu peimeiro tatu, disse ele:

- Estavu casadu i minha muier pegava todo meu dinheiro que escondia na casa, não tinha mais onde esconder, achei de colocar no cano do bodogue, ondi acredita nunca ela enconta, mas sabi, que fui armar a armadilha no matu, quando depois de alguns dias veio o domingo i a vontadi di toma uma cachacinha, fui atraz do dinheiro, mas não encontrava quando lembrei estava no bodogue, corri na mata quando vi a armadilha tinha pego um tatu e ao ladu um pedaço da nota de vinte reais.

Depois, de três dia de mesma rotina saímos subitamente para meu espanto no meio de um enorme clarão, as máquinas estavam paradas, o trator, as motosserras, e os homens faziam sua cesta depois da bóia.

Que coisa, o mateiro tinha me feito andar tanto para me mostrar o motivo do Caipora está aparecendo por lá. Essa entidade concluir é o assobio do aviso da mata. O guerreiro Tambá se manifestando avisando que algo de ruim estava acontecendo naquela região. Opá disse ao pião, voltamos sem sermos vistos e durante a caminhada de volta acampamos na margem do igarapé, fizemos uma fogueira para São Pedro que era seu dia. Estava sentado olhando a fogueira e fumando um maratá, o pé inchado já havia saído da água com a janta um surubim de uns 12K que colocamos para assar em folha de bananeira.

Já contava tarde da noite pé inchado estava dormindo quando comecei a ouvir um assobio que me fez congelar, petrifiquei não conseguia nem me mover, nem emitir nem um som, era muito próximo, aí vi uma árvore se materializar em espectro de um índio, que veio em minha direção e sentou-se na minha frente, estava completamente nu e todo pintado como para a guerra, olhou-me avidamente e ergueu umA cuia cheio de grafias tapajônicas, erguendo em minha direção, não pude recusar. Apanhei o copo como em reflexo e olhei dentro era uma bebida marrom, olhei nos olhos ternos do índio que me fez beber aquele líquido e devolvi o copo em forma de cuia. Num piscar de olhos ele tinha sumido de minha frente e a árvore voltou a aparecer, caio a nevoa sobre nos e a fogueira se apagou, comecei a sonhar acordado com o futuro e nesse sonho vi a destruição, a ganância, o fim de um universo de riquezas mil, em virtude da cobiça do que os madeireiro chamam de ouro da Amazônia, a madeira. Cai no sono noutro dia, ao lado das cinzas da madeira estava a cuia com a gráfia tapajônica, parecia-me um mapa, peguei-a é guardei, pois estava certo de possui um significado, uma mensagem encoberta naqueles símbolos.

Na manhã seguinte falei a pé inchado que havia tido um terrível pesadelo e que gostaria de que ele me levasse em algum lugar tranqüilo. Ele me respondeu apenas “simbora", e seguiu a ternos passos, fui seguindo-o logo atrás, depois de uma longa caminhada chegamos a margem de um rio e do outro lado estava aquela linda belezura, a ILHA DO aMOR, lugar paradisíaco, desabitado com uma linda praia.

Leia masis...

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Notícia: Salão Xumucuís de Arte Digital


O Instituto de Língua Viva teve o prazer de estar na maior exposição do gênero no Norte do Brasil, a exposição XUMUCUÍS de arte digital, em exposição no Museu de Arte Conteporânia, localizado no Sistema Integrado de Museus, na capital Belém - Pa.

A exposição contando com participantes de várias partes do país. O visitante delira com uma transmissão de sentimentalismo e emoção, jamais visto, um desejo de todo o pintor romantico, trasmitir ao público senações que na arte contempôranea se torna realidader, com a mistira de imagem em movimento e som, pode ser vista e sentida nas salas de exposição desse brilhante salão.

Visite e sinta.

sAIBA MAIS

sábado, 23 de julho de 2011

FICHAMENTO: Crivo de papel, de Benedito Nunes

O ENSINAMENTO

O diálogo conserva o curso da dialogação, dependendo da maiêutica, põe, no começo, os contendores ocupando posições distintas, uns Mestres que ensinam, outros como Discípulos que deles aprendem.

Confusão: hoje tendemos a embaralhar essas posições, confundindo a relação entre Mestre e Discípulo com o nexo que Hegel estabeleceu entre Senhor e Escravo.
Verdade: Mas o que se passa na meiêtica, um procedimento oral de pergunta e resposta, inventado por quem foi, como Sócrates, que nada escreveu, um pensamento de voz e não de texto?

Ela manifesta A PRETENSÃO de nada ensinar a não ser o princípio de que qualquer um só pode aprender pelos seus próprios meios. O professor é como a parteira da imagem socrática: ele ajuda a partejar a ideia, a fazer nascer a conceituação no Discípulo, que só vem à luz quando, auxiliado pelo professor, pelo Mestre, seu oponente, o Discípulo a retira de seu espirito – como se diria Socrátes recorresse a uma lembrança – à custa de um esforço intelectual próprio, que o antagonista estimula e por obra do qual descobre por si mesmo o caminho da verdade, de que o Mestre não tem a posse. Se tivesse, o Mestre estaria para o Discípulo assim como o Senhor está para o Escravo a quem domina.

Dessa forma, ensinar Filosofia não é professar uma doutrina determinada, mas, conforme o velho Kant, ensinar a filosofar, o que significa transmitir a aptidão de pensar a razão ou o fundamento de qualquer concepção, doutrina ou sistema. Só se transmite essa aptidão a outrem se também se é capaz de aprender dele – do que afirma ou refuta com o auxílio de bons argumentos.

O ENTENDIMENTO
O entendimento é comum, compartilhado, ou a razão perde a sua autoridade, e a verdade, professada pelo filósofo, decai para o estado de aceitação autoritária, instrumentando o poder de quem a preofessa.

CONCLUSÃO
Forçoso é concluir, portanto, que a meiêutica alterna as posições do Mestre e do Discípulo, distintas e antagônicas no começo da dialogação, até que Mestre e Discípulo possam caminhar juntos, num symphilosophieren, num filosofar em comum, quando quem ensina também aprende e quem aprende ensina. Portanto, o diálogo como forma literária, que reincorpora a dialogação na dialética, conforma a conaturalidade entre ensino e Filosofia.
(pg. 161 à 163)

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A ARGUMENTAÇÃO NO TEXTO DISCURSO

A ARGUMENTAÇÃO NO TEXTO DISCURSO


O texto discursivo tem como uma de suas características a argumentação, que visa, sobretudo; convencer, persuadir ou influenciar o leitor. Para isso o vestibulando deve dissertar, ou seja, expor, explicar e interpretar idéias essas que expressam o que sabe ou acredita saber a respeito de determinado assunto; escrevendo sua opinião e apresentando soluções de forma clara, racional e lógica. No entanto, deve ser observado que sua opinião não pode ser distanciar da realidade e nem da moral, ou seja, não devem atribuir idéias não possuidoras de uma noção racional. Isso porque existem duas possibilidades aquilo que não pode ser argumentado e aquilo que pode ser argumentado. Então aquilo que não pode ser argumentado nem deve ser escrito, a exemplo o insulto, a ironia, o preconceito, o sacarmos, por mais brilhantes que sejam, por mais que irritem ou perturbem o oponente, jamais constituem argumentos, antes revelam a falta deles e aquilo que pode ser argumentado o vestibulando utilizar-se-á do processo de interxtextualidade para escrever, pois assim não fugira do tema proposto nem da coerência e consistência que seu texto deve possuir, assim desenvolverá uma construção textual com finalidade cooperativa e socialmente útil.

Agora o vestibulando tomará conhecimento de alguns tipos de argumentos e depois de componentes da argumentação, que ira auxiliar em sua prática;

TIPOS DE ARGUMENTOS
l Comparação
Estabelece o confronto entre duas realidades diferentes, seja no tempo, seja no espaço, seja nas características físicas, etc.

l Alusão Histórica
O autor retoma acontecimentos do passado para explicar fatos do presente.

l Argumentos com provas concretas
Consistem na apresentação de dados estatísticos, resultados de enquetes, dados objetivos, como cifras de investimentos, de despesas e lucros, renda per capita, valores da dívida externa, índices de mortalidade infantil, aumento ou diminuição dos casos de AIDS, ETC.
l Argumentos consensuais
São aqueles em que certas “verdades” aceitas por todos são utilizadas. São afirmações que não dependem de comparação, como por exemplo, “Todo ser humano precisa de boas alimentação e lazer”. “A poluição diminui a qualidade de vida nas grandes cidades”, etc.

l Relações de causa e efeito
São responsáveis pelo estabelecimento de relações de causalidade entre idéias de um mesmo parágrafo ou entre as idéias de um parágrafo e a tese defendida.

l Argumento de autoridade
Apresenta o ponto de vista de uma autoridade ou de uma pessoa reconhecida na área do assunto em discussão. Podem ser frases célebres ou trechos de escritos de cientistas, técnicos, artistas, filósofos, políticos, etc. As citações podem ser feitas em discursos direto oi indireto. No caso do indireto, basta citar o nome da pessoa e resumir suas idéias; quando transcrita em discurso direto, a citação deve vir entre aspas e a indicação do autor pode ser feita com expressões do tipo “Como disse fulano...”, Já lembrava fulano...”, ou entre parênteses.
No exemplo que segue, veja o uso das duas formas de citação:
A Antropologia Cultural demonstra que todas as culturas possuem um caráter lúdico, isto é, o jogo é um elemento da cultura,ele participa da sua construção, manutenção e difusão.
Essa tese é reforçada por Salimon, ao afirmar que “as características do jogo (forma mais pura do lúdico) favorecem tanto o gesto da criação como o da transmissão cultural pelos elementos e traços que evoca”( Salimon, 1996: p. 6). Segundo Oliveira, o poder cultural dos jogos e dos brinquedos, em que se tratando da transmissão e reforço de valores, e marcante.
(Cássio Miranda dos Santos. Presença Pedagógica, set/out. 1998)
Ao estruturar um texto discursivo, convém diversificar os tipos de argumento. Porém, mais importante do que a diversidade e a quantidade de argumentos, é a utilização de argumentos fortes e bem fundamentados, que possam, de fato, persuadir o leitor.

COMPONENTES DA ARGUMENTAÇÃO
l Componentes introdutórios
- comecemos por
- a primeira observação recai sobre
-inicialmente, é preciso lembrar que
- a primeira observação importante a ser feita é que

l As transições
- passemos então a
- voltemos então a
- mais tarde voltaremos a
- antes de passar a... é preciso observar que...
- sublinhado isto

l Os componentes de conclusão
- logo
- conseqüentemente
- é por isso que
- afinal
- em suma
- pode-se concluir afirmando que

l A enumeração
- em primeiro (segundo,etc) lugar
- e por último
- e em último lugar
- inicialmente
- e em seguida, além do mais, além disso, além de que, aliás
- a / / se acrescenta, por outro lado
- enfim
- se acrescentarmos por fim

l Os componentes de concessão
- é certo que
- é verdade que
- evidente, seguramente, naturalmente
- incontestavelmente, sem dúvida alguma
- pode ser que

l As expressões de reserva
- todavia
- no entanto, entretanto
- mas, porém
- contudo

l Os componentes de insistência
- não apenas...mas
- mesmo
- com muito mais razão
- tanto mais que

l A inserção de um exemplo
- consideremos o caso de
- tal é o caso apenas ilustra
- o exemplo de ... confirma
- etc.

LINGUAGEM IMPESSOAL

No texto argumentativo predomina-se a voz de uma pessoa ausente assim como na narrativa, porém com a linguagem impessoal em que consiste em um diálogo direto com o leitor. O escritor utiliza-se da terceira pessoa verbal com sentido de segunda pessoa (pessoal), é a grande marca introduzida no jornalismo por Machado de Assis, esse estilo de escrita introjeta no leitor uma visão de mundo, tornando-o parte integrante do fato que está sendo sustentado pelo escritor e as circunstâncias apresentadas podem ou não terem ocorrido por omissão do leitor, que se identifica com o fato e o tem como seus próprios argumentos.

ATIVIDADE

Pesquise em jornais ou revistas e transcreva no comentário desta página o trecho da matéria, que apresente pelo menos um ou mais componentes da argumentação, não esquecendo de identificar: título, jornal ou revista, caderno ou página e data.

sexta-feira, 13 de maio de 2011

FICHAMENTO: SILVA, Vitor Manuel de Aguiar. Teoria da Literatura, ed. 8ª, editora Coimbra, 1996.

CAPITULO 10
O ROMANCE: HISTÓRIA E SISTEMA DE UM GÉNERO LITERÁRIO


“Se o século XVII constitui a época áurea da moderna tragédia, o século XIX constitui inegavelmente o período mais esplendoroso da história do romance. Depois das fecundas experiências dos românticos, sucederam-se, durante toda a segunda metade do século XIX, as criações dos grandes mestres do romance europeu. Forma de arte já sazonada, dispondo de uma vasta audiência e disfrutando de um prestígio crescente, o romance domina a cena literária. Com Flaubert, Maupassant e Henry James, a composição do romance adquire uma mestria e um rigor desconhecidos até então; com Tostoj e Dostoiewskij, o universo romanesco alargou-se e enriqueceu-se com experiências humanas pertubantes pelo seu carácter abismal, estranho e demoníaco: com os realistas e naturalistas, em geral, a obra romanesca aspira à exactidão da monografia, de estudo científico dos temperamentos e dos meios sociais. Em vez dos heróis altivos e dominadores, relevantes quer no bem, quer no mal, tanto na alegria como na dor, característicos das narrativas românticas, aparecem nos romances realistas as personagens e os acontecimentos triviais e anódinos extraídos da baça e chata rotina da vida”.(PG. 683)

“Depois, no declinar do século XIX e nos primeiros anos do século XX: aparecem os roamances de análise psicológica de Marcel Proust e de Virginia Woolf; James Joyce cria os seus grandes roamnces de dimensões míticas, construídos em torno das recorrências dos arquétipos (Ulisses e Finnegans Wake); Kafka dá a conhecer os seus romances simbólicos e alegóricos. Renovam-se os temas, exploram-se profundamente as técnicasde narrar, de construir a intriga, de apresenatr as personagens. Sucedem-se o romance neo-realista, o romance existencialista, o neuveu roman . O roamance não cessa, enfim, de revestir novas formas e de exprimir novos conteúdos, numa singular manifestação da perene inquietude estética e espiritual do homem”.(pg. 684)

“Segundo alguns críticos, o romance actual, depois de tão profundas e numerosas metamorfoses e aventuras, sofre de uma insofismável crise, aproximando-se do seu declínio e esgotamento. Seja qual for o valor de tal profesia, um facto, porém, não importante do nosso tempo, pelas possibilidades expressivas que oferece ao autor e pela difusão e influência que alcança entre o público”.(pg. 684)

CLASSIFICAÇÃO TIPOLOGICA DO ROMANCE

WOLFGANG KAYSER
“Tomando em consideração o diverso tratamento que podem apresentar o evento, a personagem e o espaço, fundamentais elementos constitutivos do romance, estabelece a seguinte classificação tipológica:

a) Romance de acção ou de acontecimento: Romance caracterizado por uma intriga concentrada e fortemente desenhada, com princípio, meio e fim bem estruturados. A sucessão e o encadeamento das situações e dos episódios ocupam o primeiro plano, relegando para lugar muito secundário a análise psicológica das persoangens e a descrição dos meios. Os romances de Walter Scott e de Alexandre Dumas exemplificam este tipo de romance.
b) Romance de personagem: Romance caracterizado pela existência de uma única persoanagem central, que o autor desenha e estuda demoradamente e à qual obedece todo o desenvolvimento do romance. Trata-se, frequentemente, de um romance propenso para subjetivismo lírico e para o tom confessional, como sucede com o Werther de Goethe, o Adolphe de Bejamim Constant, o Raphael de Lamartine, etc. O título é, em geral, pois é constituído, com muita frequência, pelo próprio nome da personagem central.
c) Romance de espaço: Roamance que se caracteriza pela primazia que concede à pintura do meio histórico e dos ambientes sociais nos quais decorre a intriga. É o que se verifica nos romances de Balzac, de Zola, de Eça de Queirós, de Tolstoj, etc. Balzac, ao colocar a sua obra romanesca sob o título de genérico de Comédie humaine, revelou bem o seu desejo de oferecer um vasto quadro da sociedade do seu tempo. O meio descrito pode ainda ser geográfico ou telúrico, como sucede na Selva de Ferreira Castro ou nas Terras do demo de Aquino Ribeiro, embora este meio telúrico seja indissociável, na visão do romancista, do homem que nele se integra. O romance brasileiro, por exemplo, tende poderosamente para este tipo de romance.

Obs: “O valor é aceitável, se não lhe conferirmos um valor absoluto e de rigidez extrema. Com efeito, é impossível encontrar um roamnce concreto que realiza de modo puro cada uma das modalidades tipológicas estabelecidas por Wolfgang Kayser, acontecendo também que muitos romances, pela sua riqueza e pela sua complexidade, dificilmente podem ser integrados nesta ou naquela classe.(pg. 686)

A PERSONAGEM

“A personagem constitui um elemento estrutural indispensável da narrativa romanesca. Sem personagem, ou pelo menos sem agente, como observa Roland Bathes, Não esiste verdadeiramente narrativa, pois a função e o significado das acções ocorrentes numa sintagmática narrativa dependem primordialmente da atribuição ou da referência dessas acções a uma personagem ou a um agente”. (pg. 687)

ÓPTICA FUNCIONALISTA
Greimas
“substitui o conceito de personagem pelo termo termo de actante”. (pg. 687)

personagem > actante

Sémantique struturale

Este termo e esse conceito têm origem lingüística, derivando da sintaxe estrutural de LUCIEN TESNIÈRE.
“O núcleo verbal, afirma Tesnière, exprime “um pequeno drama” que comporta sempre um processo, actantes e circunstâncias”.

EXPLICAÇÃO
“Transpondo estes conceitos para o plano da sintaxe estrutural, teremos respectivamente o verbo, os actantes e os circunstânciais.

• Actantes: são sempre substantivos ou equivalentes de substantivos, são subordinados imediatos do verbo e podem classificar-se em “primeiro actante”, “segundo actante” e t”erceiro actante”.

1. Primeiro actante: é aquele que realiza a acção (sujeito)

2. Segundo actante: é aquele que suporta a acção (complemento directo)

3. Terceiro actante: é aquele “em benefício ou em detrimento do qual se realiza a acção” (complemento indirecto)
Greimas
Transfere este conceito sintáctico (e também semântico) para a análise da estrutura narrativa. O autor confere-lhe uma relevância fundamental, concebendo os actantes como a instância superior que sintacticamente subordina os predicados (dinâmicos ou estáticos) e como as “unidades demânticas da armadura da narrativa”.

NÍVEL IMANENTE
“Um nível postulado como comportando estruturas virtuais e universais”. (pg. 689)

Nota: Os actantes, no seu percurso narrativo – uma seqüência hipotáxica ou um encadeamento lógico de programas narrativos -, podem agregar ao seu estatuto actancial (o que os define num dado momento) um número determinado de funções actanciais, definíveis tanto sintacticamente, em relação à posição do actante no percurso narrativo, como morfologicamente, em relação ao seu conteúdo modal.

MODALIDADES

querer-fazer
saber-fazer
poder-fazer

MODELO ACTANCIAL

diagrama Greimas
destinador objeto → destinatário


adjuvante sujeito→ opositor


Nesse esquema biplanar:
• o destinador: é aquele que “manda fazer”, que comunica ao sujeito “não só os elementos da competência modal, mas também o conjunto dos valores em jogo”
• o sujeito: é aquele que quer, que pretende o objeto (relação de desejo, manifestada por uma relação juntiva, pois que o sujeito e o objeto existem um para o outro) (pg. 690)

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